Sep
12
2009

O diferente que incomoda

cavalo ideal

O imperativo de gozo da nossa sociedade capitalista é um dos maiores causadores do nosso sofrimento “contemporâneo” (se é que há algo de contemporâneo nisso). Você deve comer tudo que se vende nos melhores restaurantes, andar no melhor carro, ter os melhores aparelhos eletrônicos que te fazem passar o dia sentado numa cadeira e depois ainda têm que ser magros como as modelos anoréxicas da tv. Querem te fazer acreditar que vê pode um dia ser um cavalo, mas a verdade é que isso nunca vai acontecer. Somos diferentes.

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Sep
08
2009

A casa dos mortos

Assisti esse vídeo pelo blog Psicologia dos Psicólogos, e me sinto na obrigação de passar adiante.

O Filme

Bubu é um poeta com doze internações em manicômios judiciários. Ele desafia o sentido dos hospitais-presídios, instituições híbridas que sentenciam a loucura à prisão perpétua. O poema A Casa dos Mortos foi escrito durante as filmagens do documentário e desvelou as mortes esquecidas dos manicômios judiciários. São três histórias em três atos de morte. Jaime, Antônio e Almerindo são homens anônimos, considerados perigosos para a vida social, cujo castigo será a tragédia do suicídio, o ciclo interminável de internações, ou a sobrevivência em prisão perpétua nas casas dos mortos. Bubu é o narrador de sua própria vida, mas também de seu destino de morte.

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Sep
07
2009

Indicação de Leitura

Da sexualização das meninas

“.: Há este livro chamado Senhorita Else, escrito por Arthur Schnitzler e publicado em 1924. Não é um romance, exatamente, pois sua forma condensada o aproxima mais da novela. Trata-se de um relato, em primeira pessoa, de uma jovem, Else, que está numa espécie de hotel (ou colônia de férias, já não me lembro dos detalhes), onde se reúne a alta burguesia austríaca, e recebe uma carta de seus pais com um pedido e algumas instruções. Seu pai está falido e precisa de dinheiro, e cabe a ela recorrer a um homem rico, conhecido de seu pai. Else obedece, procura o homem, e ele impõe uma condição: que ela se mostre nua para ele. Estou prestes a contar o final: ela aceita, porque se vê completamente sem saída, com o futuro da família nas mãos, e entre o êxtase, a raiva, o desespero, ela vai salão de festas, onde estão todos – inclusive seu "salvador" – , vestida apenas com um casaco de peles, e despe-se. Escândalo, susto, horror…”

Continue lendo aqui.

0
Sep
03
2009

Nunca completo. Sempre faltará algo.

Este blog está sempre em construção. Costumo ter idéias o tempo todo. Em geral, se deixo de escrever por falta de tempo, ou porque a idéia ainda não está muito clara, acabo nunca escrevendo. Isso é fato. As coisas nunca ficam perfeitas do jeito que queremos, até porque isso não existe.

Assim, escolhi escrever sempre, mesmo que a idéia ainda esteja confusa, mesmo que o texto tenha ficado muito denso, mesmo que a gramática não esteja no seu melhor. A idéia é que todos podem dar suas opiniões, críticas e sugestões. Estou aqui aberta para isso.

Obrigada por ler! Até mais.

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Sep
02
2009

Vendemos nossa alma para o Capitalismo

Quando começou a briga entre Rede Globo e Rede Record, ficou difícil tomar partido. A Rede Record tem por base uma igreja criada por um homem de grande má fé, e a Rede Globo por anos manipulou as noticias, entre tantas outras coisas. Sempre pensei que o jornalismo e os meios de comunicação não poderiam ter fins lucrativos, porque só assim ficariam livres de sempre querer vender uma história, um político, uma religião, uma idéia.

No jornalismo de papel sempre foi a mesma coisa. Por mais que os jornalistas se considerem livres para falar de noticias, eles ainda estão sujeitos ao dono do jornal que trabalham, que podem vetar matérias, ou influenciar temas. Enfim, todo o meio de comunicação, pelo menos no Brasil, parece ser vendido, tem um pé na merda.

Em tempos de avanço da tecnologia, surgiram os blogs. Parecia ser a revolução da era da noticia, já que, uma vez que não tinham rabo preso, poderiam falar do que quisessem, quando quisessem e como quisessem. E ai muitos o fizeram, criticando abertamente produtos, empresas, idéias. Até que alguns perceberam que isso podia dar dinheiro, e a coisa voltou toda pro começo. Grandes bloggers blogueiros começaram a ser pagos para falar bem de produtos, ou começaram a colocar anúncios que, em 70% das vezes são anúncios de produtos que o próprio blog critica.

Falei de tudo isso pra chegar nesse ponto: pelo que parece, todos se vendem, em algum momento da vida. As pessoas “pequenas”, que poderiam fazer diferença, e tanto criticam os “grandes”, na primeira oportunidade de ganhar dinheiro fazem exatamente a mesma coisa que antes criticavam. Será que é tão utópico querer defender nossos valores pessoais, ou será que andamos tão preguiçosos para insistir no que acreditamos?

Na internet, as pessoas têm buscado cada vez mais ser relevantes naquilo que fazem, sejam elas boas ou não. E o que tem acontecido é que muitas pessoas sabem fazer marketing pessoal, ou seja, fazer com que outras pessoas pensem que ela realmente é aquilo tudo que ela quer ser. O problema disso é que, em geral, as pessoas que realmente são boas no que fazem não estão preocupadas em se vender como imagem. Elas estão preocupadas em fazer o seu trabalho direito. Porém, em terra de brasileiro, todo marqueteiro é rei. E dai que as pessoas que são consideradas relevantes, em geral não o são. Mas acabam convencendo a grande massa disso, e realmente passam a vender idéias como ninguém. E isso se torna um ciclo vicioso, porque, quanto mais marqueteiras são, mas são reconhecidas, e mas são vendidas. Enquanto que, quem está de fora vendo tudo isso, mais acha horrível e mais quer distância dessa realidade. Então hoje, o que temos na internet, é o mesmo movimento que já vinha acontecendo com a noticia: quem é responsável por noticiar, criticar, refletir, são pessoas que tem rabo preso.

(O próprio Lula, passou anos lutando por um ideal, e quando percebeu que não estava conseguindo a sua maneira, contratou pessoas de rabo preso para fazer sua campanha, e ao chegar na tão desejada presidência começou a fazer exatamente o que ele criticava. E pior, passou suas duas candidaturas não vendo as coisas a sua volta. Não querer ver o que está na nossa frente é pior do que ver e não fazer nada.)

Todos temos que pagar nossas contas do final do mês. Posso parecer utópica, mas acho que sempre é possível fazer isso com um mínimo de dignidade. Somos uma sociedade que padece de doenças da alma, afinal, como podemos ir dormir a noite, quando passamos o dia ganhando dinheiro indo contra aquilo que acreditamos? Ou pior, vendendo para outros algo que sabemos não ser bom. Enchemos nossos bolsos fazendo com que os outros gastem o seu em porcaria. Pagamos nossas contas com dinheiro de valores vendidos, morais tortas, e enganando pessoas que acreditam estar sendo bem influenciadas. Depois nos perguntamos por que nossa sociedade anda sofrendo tanto do psicológico.  São as doenças do ser, porque pelo ter, estamos deixando de ser.

Se parece não haver outra forma de pagar nossas contas, então estamos caminhando pro lado errado. É nossa obrigação achar uma forma nova, se a que existe obviamente não satisfaz. Qual? Bom, podemos começar dando o primeiro passo, que é não vender nossa alma por qualquer cem reais, por mais difícil que isso seja.

2
Sep
01
2009

Rápidas

Logo sai o podcast que eu venho prometendo desde o ano passado!

Também vai sair do papel um projeto de um documentário sobre Baixa Visão (ou visão subnormal). Portanto, se tiver idéias e/ou quiser colaborar, podem mandar um email pra mim!

Tenho usado o Google Reader, e achei muito interessante compartilhar notícias e afins. Portante se você já usa, me acha lá, e se não usa, procure saber e experiemente! (alinesieiro@gmail.com)

0
Sep
01
2009

O destino está escrito?

O destino é um dos temas centrais do filme Slumdog Millionaire. Nele, desenvolve-se a idéia de que estamos marcados por um destino, que guia nos ações baseado em um futuro que já está escrito, predestinado. Tudo que “escolhemos” fazer, na verdade não seriam escolhas, seriam, na verdade, seguir o caminho do destino que está traçado para nós.

Em Lost, na última temporada que foi ao ar, fica a grande questão: será possível mudar o futuro, ou tudo que os personagens decidem fazer de formas diferentes, na verdade seria fazer exatamente o que está previsto?

No dia-a-dia na clínica, somos apresentados a questão do destino diversas vezes: será que os sujeitos que recebemos no consultório estão destinados a ser sempre errantes, sempre prisioneiros de seus sintomas, ou podem mudar? Existe mudança, ou estamos trilhando um caminho já marcado, traçado pelas nossas decisões e experiências passadas?

Quanto mais abordamos a questão do destino, menos respostas temos, mas temos muitas perguntas. E isso é bom, ter perguntas mostra que estamos caminhando. Mas uma questão muito defendida pela psicanálise é que somos sujeitos de nossa vida. Isso quer dizer que somos capazes de decidir o que fazer de nossa vida e de nós mesmos. Dessa forma, não existiria um futuro já traçado e pré-definido, e mesmo se aparentemente houvesse, nós poderíamos mudá-lo sempre que acharmos necessário. A verdade é que, na prática, as coisas acabam não funcionando desse jeito. Mas, na maioria das vezes não é por causa de um destino, e sim porque é muito difícil mudar. É mais fácil acreditar que nossa vida toma um rumo porque está escrito, do que admitir que tomamos uma decisão que foi errônea, e não tivemos coragem de mudar.

Perceber que estamos caminhando em direção a uma vida que não nos agrada  e mudar não é nada simples. Pede uma reestruturação interna grande, pede uma avaliação de nossos desejos, de quem somos, para onde vamos e o que queremos. Pede uma apropriação da vida, onde somos os únicos culpados pelos erros que cometemos e continuamos cometendo. E vamos dizer que esse é um peso que nem todo mundo gosta de carregar nas costas.

Claro que a gente pode dizer que tudo está traçado, e que a vida dá “sinais” disso o tempo todo. Podemos acreditar que tudo está nas mão de Deus, que os erros são culpa de nossos pais, ou da falta deles, enfim, motivos para justificar uma vida que caminha aparentemente por si só, temos muitos. Mas, e se exercitássemos a responsabilização? Se todo dia, a cada escolha, a cada erro, e a cada vitória, pensássemos qual a nossa responsabilidade em tudo isso, e o que estamos fazendo para que as coisas continuem exatamente da mesma forma, ou com mudanças? Será que somos escravos de um destino, de uma vida onde não somos sujeitos ativos, no qual podemos ser donos de nossas escolhas? Será mesmo?

3
Aug
21
2009

Não ao desenvolvimentismo

É muito mais difícil do que se imagina sair do ciclo vicioso que entramos na onda do capitalismo. Em geral, sou contra esse tipo de vídeo, pois costumam ter argumentos furados e ficam muito próximos daquela coisa de auto-ajuda, utópica. Mas esse vídeo, em particular, gostei bastante. Não é curtinho, mas assistam, vale a pena.

 

0
Aug
19
2009

Síndrome de Tourette

Ainda falando do filme Phoebe in Wonderland, afinal o que ela tem é ST, aqui vão uns links muito bacanas sobre o assunto, pra quem quiser saber mais:

- Aqui tem um artigo muito completo sobre o que é a ST, e abaixo um trailer de um documentário bacana sobre o assunto.

 

0
Aug
19
2009

Phoebe in Wonderland

Phoebe in Wonderland é um filme daqueles de pega a gente pelo pé. Você pensa que vai assistir um filme simples, e se impressiona com a multiplicidade e complexidade dos assuntos abordados de uma só vez.

O filme conta a história de uma menina diferente, e como o modo de ser dela toca cada uma das pessoas a sua volta: seus pais, sua irmã, seus amigos e professores na escola. Dizer isso é simplificar demais o que está por traz do filme. No fundo, o filme fala do complexo de édipo. Fala da dificuldade dos pais em lidar com a castração, com a educação dos filhos, e como lidar com a relação de casal. Fala também de educação, da dificuldade em inserir as pessoas diferentes no meio social e escolar.

Enquanto uma mãe e um pai tentam desesperadamente entender porque sua filha é diferente, e que culpa eles tem nisso, também tentam ajudá-la na sua interação escolar, e tentam resolver as questões de casal entre eles. Assistam!

 

 

“ – BEM-VINDOS

- A próxima regra é: "’Jenny Bom Trabalho’ faz perguntas só quando for a hora de fazer perguntas".

- Como saberemos quando é a hora de fazer perguntas?

- O que acabei de dizer sobre fazer perguntas?

- Mas…

- Pode perguntar quando puder fazer perguntas quando for a hora de fazer perguntas.

- Hein?

- Nessa sala de aula, temos algumas regras. São as mesmas regras que tivemos ano passado.

- Isso é uma pergunta?

- Turma, qual é a regra sobre fazer perguntas?

- O que sabemos sobre ‘Jenny Bom Trabalho’?

- Ela merece uma morte lenta e dolorosa.”

 

“ – Se você quiser voltar ao trabalho, posso terminar aqui. Quanto ao que eu disse… No jantar.

- Não temos conversado, não de verdade.

- Me desculpe.

- Converse com ela.

- Eu conversei. E tenho conversado, e ela diz que está bem, mas eu não acho.

- O que você disse, aquelas palavras…

- Eu sei.

- Não quer conversar comigo agora.

- Peter, eu estou irritada, muito irritada.

- Entendo.

- É, estou irritada por você ter dito aquilo. Estou irritada porque você a magoou. Deus, eu só… Estou irritada porque eu queria que ela fosse diferente, e estou irritada porque ela é diferente. Estou irritada porque ela age daquele jeito, porque ela é infeliz, e eu sei porque ela é infeliz e eu não consigo fazê-la feliz, mas aquela professora
esquisita consegue.  E estou irritada por me culpar do jeito que ela age. Estou irritada porque penso em mães apenas como mães, e estou irritada por me importar se sou uma boa mãe. Estou irritada porque quando você disse aquilo para ela, eu sei que você estava certo. Eu não agüentaria outra como ela. Estou irritada porque não estou escrevendo, e estou irritada porque um dia terei 70 anos e só terei minhas filhas porque eu não terei mais nada porque eu não fiz nada importante. E estou irritada porque,
às vezes… não tenho medo de nada disso porque as minhas filhas me mantêm viva. Elas me mantêm viva.”

 

“ – Pensei que eu pudesse ajudá-la. Pensei que era eu, porque… Eu… não… Por favor, me deixe terminar, por favor. Porque eu me aborreço com elas… e fico com raiva, com tanta raiva, que tenho vontade de sacudi-las.

- E você acha que é a única mãe que se sente dessa forma? Nada disso é culpa sua. Mas por que você não me disse?

- Porque eu não queria que ela fosse…

- O quê?

- Inferior.”

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