Archive: Psicologia

Como a internet veio e trouxe o mundo pra sua casa, os usuários começaram a ficar um pouco perdidos. Tanta informação, tanto cadastro, tanto meio social on line que o povo começou a se confundir. É Orkut, Twitter, Msn, Icq, Gmail, etc etc… Bom, com o mundo na sua casa, fica mesmo difícil controlar tudo…

Algumas pessoas conseguem ser objetivas. Ok, posso ter o mundo na minha casa, mas não preciso de tanto, do que eu preciso? E ai essas pessoas conseguem filtrar, entre tanta novidade, o que serve e o que é só mais uma moda nova. Mas a grande maioria fica perdida com tanto perfil em tanto lugar. Ai começaram a surgir os programas de controle. São diversos tipos de programas ou sites que ajudam o usuário a controlar suas coisas. Esse aqui http://meadiciona.com/users/index.php por exemplo, ajuda as pessoas a controlarem sua vida social na internet. Esse aqui http://keepass.info/ controla todas as suas senhas e logins em programas e sites diversos da internet. Esse aqui https://www.wesabe.com/ ajuda a controlar as contas nos bancos. Isso sem falar nos Feeds ou Google Reader pra ajudar o usuário a acompanhar os posts de blogs que mais gostam, ou as noticias dos assuntos que interessam… AH, enfim, é muita coisa, e muito controle.

Ai o que acontece? É tanto controle que vai chegar uma hora que vão inventar o site do controle do controle. E assim as coisas vão caminhando…

Será que não era mais fácil aprender a selecionar, aprender a escolher? Será que não era mais fácil perceber que não dá pra fazer tudo o tempo todo, porque ai nada acaba sendo realmente feito?

A internet trouxe e continua trazendo muitos benefícios. Mas a verdade é que ninguém ainda sabe usar de forma a facilitar as coisas necessárias da vida. E ai o que acontece é que, para facilitar, as pessoas se inscrevem em tantas coisas, tentam acompanhar tantas coisas, que só arranjam mais um problema pra cabeça. Ao perceber que não dão conta de tanta coisa, do mundo na sua casa, vem a frustração, uma ansiedade por controle (que é irreal) e por planejamento que só alimenta mais frustração (porque a gente nunca consegue controlar tanto) e isso vai criando uma cadeia de tristeza e até mesmo depressão. Tá, poderíamos entrar aqui na discussão do que é o necessário pra cada um, mas acho que as pessoas podem usar o bom senso pra conseguir definir o que é necessário pra si, e o que não é.

Sim, é legal fazer parte de várias coisas legais. Existem muitas coisas legais no mundo. A não ser que você viva pra isso (24 horas por dia, sete dias por semana), não dá pra participar de tudo que é legal. E como o ser humano insiste em não se admitir castrado, ele quer e vai em tudo, e nisso sofre mais do que se parasse para admitir que não dá pra fazer tudo, e escolhesse. Pelo menos as escolhas poderiam aliviar, e a pessoal poderia se sentir feliz e completo naquilo que escolheu fazer, mesmo que não seja tudo que ele queria e\ou gostaria.

Papo chato né? Eu sei, é sempre chato ter que encarar as situações de frente, e fazer escolhas. No começo é difícil sim fazer escolhas, mas essa dificuldade pode se transformar em produtividade, satisfação, alegria e mais tempo livre pra fazer o que realmente é importante pra você. Não é vergonha não estar em tudo que está na moda.

Ter problema psicológico agora é moda

A moda é uma coisa triste. As pessoas passam a dizer as coisas e nem sabem do que estão dizendo. Até ai tudo bem. Ai os autores de novela decidiram ser politicamente corretos, e abordar doenças físicas e\ou psicológicas como temas de suas novelas, porque supostamente isso deveria ajudar a população, ensinar, advertir. É pra rir né? No que isso virou? Surto de pessoas com as tais doenças das novelas. É verdade que em 100 casos, um deve ter mesmo a tal doença. Mas os outros 99 simplesmente entraram na moda do momento. Alias, a moda do momento é ter dislexia. Imagina o surto de dislexos no Brasil? Antes disso foi Síndrome do Pânico, para as crianças o transtorno de defcit de atenção… Enfim, a moda de doenças mentais circula.

Se pegarmos o DSM ou qualquer outro livro que faça definições sobre uma doença psicológica, é bem provável que, supostamente, teremos quase todas delas. As definições, apesar de tentar estreitar, acabam generalizando. Então ao estudar sobre os transtornos de humor, todo mundo que estuda acha que tem problemas de humor. Ao estudar outra matéria, lá vai todo mundo achando que tem aquilo. E por isso mesmo é preciso tomar cuidado. Cuidado esse que a TV não tem. Eles pegam as informações mais clichês acerca da doença, jogam lá em um personagem, trabalham isso no começo da novela, de forma bem porca, e depois esquecem no resto da novela. Dai 90% da população já acha que tem a tal doença, e na verdade não sabem nem 20% do assunto.

E pra piorar, as novelas adoram representar os psicólogos da pior maneira possível. O psicólogo sempre aparece como se fosse mais um amigo, aconselhador, ou alguém que serve pra se apaixonar por alguém que está sem par na novela.

Não bastasse essa moda, agora são os bandidos que estão se aproveitando disso. Virou moda, após um assalto, agressão no transito ou agressão familiar, usar a desculpa psicológica. Essa semana mesmo tivemos dois casos: a bancária que dirigiu na 23 de maio na contramão, era bipolar, segundo a família. E o cara que atropelou o outro era esquizofrênico. Ah e a madrasta da Isabella supostamente tem problema nos nervos (seja lá o que for isso). Com certeza é melhor ser taxado como louco do que como assassino, culpado. Mas como eu falei, se for pra generalizar, TODO SER HUMANO TEM ALGUM PROBLEMA MENTAL, OU PODE TER. Se fuçar muito a gente acha problema mental em todo mundo. Com o estresse diário então, fica mais fácil ainda achar problema mental. E o Brasil, que ao invés de cuidar prefere remediar, já começou a dizer que o DETRAN poderia ter prova psicologia pra tirar a carta. Se forem rígidos 90% das pessoas não vão mais tirar carta…

O pior da moda, é que ela só divulga o lado ruim. Por que então não se divulgam os benefícios de uma psicoterapia ou analise individual? Ou mesmo terapia familiar? A parte “ir a um consultório psicológico” não virou moda, a moda é só a doença, o sintoma. Ser portador de um sintoma que te identifique com um grupo, ou que explique as coisas mais esdrúxulas da sua personalidade, isso é que é a moda. Se cuidar, ir a um psicólogo pra investigar, essa parte não é moda.

Depois de tanto falar mal da TV, também é preciso apontar as coisas boas. O SBT tem o programa Casos de Família, toda tarde as quatro horas. Quem apresenta é a Regina Volpato. O programa tem temas diários, nesses temas ela tem convidados, geralmente três famílias que discutem ao vivo o problema proposto como tema do programa. Ao final um psicólogo faz um resumo de cada caso e convida a um tratamento na USP ou no local mais próxima do convidado. Parece bobo, mas esse é o programa popular que mais é assertivo com a população. Não sei a formação da apresentadora, mas ela tem uma percepção bem aguçada para fazer as perguntas e dirigir as discussões de forma a responsabilizar os sujeitos por seus problemas. E depois ainda com o depoimento do psicólogo isso é reforçado. Muitas coisas acabam sendo clichês, e a audiência tem direito a fazer comentários, nem sempre assertivo, mas nada pode ser perfeito. Isso ainda não tira o bom do programa, que, na minha opinião é retomar a responsabilidade cada um por sua própria vida e erros, e lembrar que sempre é possível escolher outros caminhos na vida.

 

 

Podcast

Desde semana passada acordei pensando em fazer um podcast de Psicologia. Explico. Sempre critiquei a forma como a Psicanálise deixa de lado a internet e a tecnologia de forma geral. Entendo as dificuldades de fazer tal inclusão, mas como já disse em post anteriores, enquanto não aprendemos a usar nosso lugar, outros usam para outras coisas nem sempre boas. Cito o caso que postei do menino que estava em análise, mas usou a internet para se suicidar.

Pensando nisso, estou há meses tentanto achar uma forma de entrar na internet. Escrever um blog sobre isso é interessante, mas já existem muitos bons blogs sobre o assunto, e nos dias de hoje as pessoas não tem tanto tempo assim pra parar todas as semanas e ler um blog. Meu marido sempre fala muito de podcast, ele mesmo tem uma vida agitada, nunca consegue parar pra ler um livro, ou mesmo ler os textos interessantes que estão nos feeds dele. Mas ele escuta sempre podcast, toda semana, porque pode escutar enquanto vai e volta do trabalho, até mesmo quando vai no banheiro ou faz outras atividades. Por isso comecei a pensar que fazer um podcast pode ser uma coisa interessante para entrar com a Psicanálise na internet.

A idéia é fazer uma coisa aberta, não só pra quem é psicanalista, mas com um foco maior para estudantes de psicologia, ou mesmo pessoas que não sabem o que é psicologia e psicanalise e tem interesse de saber.

Procurando no google para ver se já havia alguma coisa nesse sentido, não achei nada (pode??), só achei esse post falando sobre um assunto, de alguém que também está pensando em fazer algo do gênero. http://kanzlermelo.com/2008/05/25/voce-conhece-um-podcast-brasileiro-sobre-psicologia/#comment-125

Bom, vou amadurecer esta idéia, mas se alguém tiver uma sugestão, será bem vinda.

Pesquisa em Psicologia

A pesquisa em Psicologia tem hoje diversas áreas, e nessas áreas diversas abordagens muito diferentes. Falando em áreas, temos a hospitalar/psiquiátrica ou não, clínica, social, escolar e do desenvolvimento humano, de recursos humanos, do esporte, jurídica, da sexualidade e muitas outras que cada dia surgem mais. As mais populares nas universidades costumam ser social, escolar/desenvolvimento humano e clínica. Nas universidades em hospitais ficam as pesquisas na área hospitalar.

Além desse ramo gigantesco de áreas, ainda temos outra divisão, dentro de cada uma delas, quando a abordagem. As três grandes áreas são Cognitivo-Comportamental, Fenomenológica e a Psicanálise. Ainda, dentro de cada uma delas existe outro leque gigante de subdivisões. No caso da Psicanálise, as pesquisas acadêmicas não têm muito tempo, até por certa dificuldade em se fazer pesquisa sobre a clínica. Mas já algum tempo as pesquisas em psicanálise são feitas não só na clínica, como também nas outras áreas, como social, escolar e hospitalar. Na área hospitalar a dificuldade é maior, pois existe uma prevalência da linha Cognitivo-Comportamental, que combina mais com a forma de pesquisar dos médicos.

Em Psicanálise, as duas grandes subdivisões sãos as abordagens de origem Inglesa e Francesa. Quem faz psicanálise inglesa está acostumado com autores como Melanie Klein e Winnicot. Já na Psicanálise Francesa estuda-se Jacques Lacan e os muitos outros que seguiram suas idéias. Freud é comum a todas as linhas psicanalíticas, mas cada um destes autores abriu novos modos de trabalhar a partir daquilo que Freud deixou. Além dessas duas grandes linhas, temos também os Jungianos, que muitos não consideram e nem chamam de psicanálise pela forma como este abriu portas a idéias que misturavam um pouco de religião e coisas místicas. Mas a contribuição dele no começo do estudo da psicanálise é sempre reconhecida.

As pesquisas em Psicanálise Clínica são hoje as mais disputadas nas universidades de SP, mas antes eram as menos requisitadas. Essa mudança ocorreu porque, no começo, a área clinica estava mais preocupada em atender do que em produzir textos, artigos, e com isso as pesquisas ficaram defasadas em relação as outras áreas, social e escolar. Mas há cerca de dez anos a área vem mudando, e produzindo muitos doutores, mestres, e assim artigos e teses, e por isso hoje é muito disputada nas universidades. Porém, para que se faça pesquisa em clinica, é necessário experiência na clinica, como analista. A exigência do tempo varia de universidade para universidade, mas gira em torno de dois anos. Nessa área também se exige muito um conhecimento do autor a ser usado como base para pesquisa, e por isso a seleção para este área costuma ser considerada mais difícil.

Na área de social, a psicanálise costuma desenvolver os trabalhos junto com a filosofia. As pesquisas costumam fazer um diálogo entre um autor psicanalítico e um filósofo, independente do tema. Alias, a presença da filosofia no estudo e na pesquisa em psicanálise está sempre muito presente. Na área social, a idéia de pesquisa é um pouco diferente da clínica, que pensa no singular, pois aqui a idéia é pensar, na sociedade, nos grupos, nos sujeitos como um todo. Exatamente por caminhar junto com a filosofia, também se vê aqui estudos com a metapsicologia, sobre a história da psicanálise, e sobre os movimentos contemporâneos da sociedade, como capitalismo, globalização, entre outros.

Na área escolar e do desenvolvimento humano, os trabalhos tem temas mais amplos, já que a realidade escolar também é muito ampla. Podem ser feitos trabalhos e discussões sobre a escola, sobre os professores, sobre a construção do saber, enfim, muitos são os temas possíveis. O mesmo vale para a área de desenvolvimento humano, que tem projetos da infância, de todas as fases da vida, e com as abordagens de autores desenvolvimentistas, mas também psicanalíticos.

É importante destacar que, na área hospitalar e/ou na linha Cognitivo-Comportamental, é grande ainda o número de pesquisas quantitativas, mas existe uma luta das outras áreas para que isso mude, principalmente da psicanálise clinica, para que as pesquisas sejam qualitativas. Isso porque se defende a idéia de que, o sujeito, sendo único, a e pesquisa também será única. Esse talvez seja um dos grandes desafios da pesquisa em psicanálise clínica. Na área hospitalar também é grande o estudo da psicossomática. A psicossomática tem diversas abordagens, e ai também está presente a psicanálise, mas com outro olhar, diferente do olhar da medicina.

Diante de tanta diversidade, acredito que, antes de escolher um tema de pesquisa e área, é preciso que o aluno escolha a abordagem e o autor que mais combinem com suas características pessoais de estudo.

Estou errada em alguma coisa? Vamos discutir!

Minha teoria

Quem sou eu pra ter teorias sobre as coisas, mas lá vou arriscar meu palpite.

Acho que os adultos andam mais infelizes principalmente por causa da tal “liberdade”. Esse momento em que a tecnologia nos liberou de diversos padrões de comportamentos, nos mostrando que nem sempre o que era uma regra precisava ser, mexe mais com a geração que viveu isso diretamente. Explico melhor. Antes, você crescia pensando que tinha que fazer algo por sua vida, para garantir o futuro. Para isso eles aprenderam que tinha que trabalhar, ter uma carreira e ganhar dinheiro. Para isso nem sempre faziam o que gostavam de fazer, as vezes nem sabiam do que gostavam. Dizia-se também que era necessário constituir familia, em determinado momento da vida, já que uma pessoa precisava continuar seu legado, com uma esposa e filhos. (Será?)

Dai veio a modernidade, a tecnologia e a quebra de paradigmas. Nego pode ter trinta anos e ainda não ter se decidido por uma carreira, e dai? A pessoa pode ter seus trinta e poucos anos e ainda não pensar em garantir futuro, ela quer viver o agora e pronto. Quem disse que as pessoas precisam casar e ter filhos? Pra ter filhos não é preciso casar, e se a pessoa quiser morrer solteira, ela que o faça, ele não precisa ter ninguem pra caminhar com ela, ela pode muito bem caminhar sozinha se assim o desejar. Com tanta liberdade, o que acontece com nossos quarentões e sessentões?

1. Eles olham tudo que construiram, dinheiro, carreira, familia, e não sabem o que fazer com isso. O dinheiro não tem sentido, tanto dinheiro mas não sabem gasta-lo, porque aprenderam que o dinheiro tinha que ser ganhado e guardado. (Pra que, pra morte, pros filhos? Eles que façam seus proprios dinheiros!!!) A carreira, em 70% dos casos, se torna um fardo, porque eles não veem sentido em continuar fazendo algo que nunca gostaram ou que não são mais valorizados pela idade (avançada, quando se trata de mundo profissional, eles podem ser bem cruéis). A familia, cada um segue seu caminho, os filhos fazem coisas que eles jamais pensaram que podia fazer quando jovens, e fica uma mistura de pudor moral, vergonha, e também de inveja.

Nesses casos, eles tem várias saidas, mas muitos não tem coragem de mudar depois de tantos anos vivendo do mesmo jeito. E dai ficam doentes mais cedo, desenvolvem mil e quinhentas psicossomáticas, atazanam a vida dos filhos, reclamam de tudo. Ou procuram os remedios. Mas poderiam muito bem largar tudo e começar de novo, abrir uma empresa, descobrir algo que gostam e voltar a estudar, pegar o dinheiro e viajar. Alguns conseguem fazer isso e vivem bem, mas infelizmente a maioria não.

2. Alguns veem a liberdade que tem e dai se afundam nela. Voltam a ser adolescentes, e vivem aquilo que não puderam viver em suas épocas. As mulheres usam todos os cosméticos e cirurgias possiveis, trocam seus guarda-roupas, se enfiam no consumismo do nosso capitalismo, passam a sair de balada, se separam de seus maridos, mudam tudo, a vida vira uma festa. Os homens vão pra academia, malham pra ficar bombados, compram carros esportivos e saem paquerando menininhas de 18 anos (quando não de 16 no Brasil…). Se separam e começam a namorar a mais novinha gatinha do pedaço. Saem de balada e exibem seus corpos, carros e dinheiro. Alguns entram numa banda de música pra mostrar como são descolados. Outros compram todos os aparelhos tecnologios mais modernos, e equipam a casa com coisas que nem conseguirão usar.

Isso melhora a sensação anterior? Nem sempre. Em parte porque continuam se sentindo um pouco deslocados em relação a sociedade, a familia e aos colegas de trabalho. E porque nada disso tampona um fato: eles já são adultos, não importa o quanto tentem viver o que não viveram, isso não é possivel. Eles podem viver novas experiencias, mas as do passada jamais serão revividas. E, geralmente depois do auge disso, vem a tristeza, a sensação de desconforto, de não pertencer aos papeis que a vida exigem que ele viva, entre outras coisas.

Pra mim, é por isso que o suicido aumentou dessa faixa dos 40 aos 60. Porque o encontro com a vazio ficou mais evidente. Porque a vontade de entender o sentido da vida por ela mesmo fica frente a frente com eles, pedindo uma resposta, uma solução? Como viver o que nao vivi, como mudar o que não quero mais?

Se o sujeito se conforma e nada muda porque tem medo, ou porque nao sabe como mudar, deprime. Se o sujeito joga tudo pro alto e faz a festa, deprime quando volta pra casa, e sozinho, não se sente confortável consigo mesmo. Então, como fazer?

Cada um encontra sua resposta, não existe uma fórmula mágica. Mas o segredo de tudo na vida, é ter paciencia consigo mesmo, aprender a se perdoar, aprender a se dar a chance de tentar. Com calma o sujeito pode tentar se redescobrir e aos poucos se retirando desse lugar estereótipado, seja ele qual for. E nós, fruto da geração tecnologia devemos prestar mais atenção neles, tentar ajudá-los a se achar, seja conversando, seja parando de nos colocar como os filhos, netos chatos que só criticam ou ridicularizam. Nós podemos ajudá-los a achar o meio termo frente a tanta liberdade (falsa liberdade, por vezes, mas ainda sim liberdade de ser o que quiser ser).

Ainda dos outros

Nos últimos anos, subiu o índice de suicídio na população entre 40 e 64 anos. Por quê?

Em 2004, nos EUA, 32 mil mortes foram oficialmente atribuídas a suicídio. Ampliando a faixa da meia-idade, constata-se que, dessas mortes, mais de 14 mil são de pessoas entre 40 e 64 anos. Segundo o “New York Times”, o fenômeno não seria apenas americano: um estudo recente aponta que, em 80 países, as pessoas de meia-idade são as menos “felizes”. As explicações são hipotéticas.
Por exemplo, no que concerne às mulheres, desde 2002, diminuiu fortemente o uso da reposição hormonal na menopausa. Talvez o déficit de estrógeno tenha efeitos depressivos diretos ou indiretos.
Também observa-se que pessoas de meia-idade são grandes consumidoras de antidepressivos. Talvez um uso vacilante dessa medicação (com interrupções brutais sem acompanhamento psiquiátrico) seja responsável por momentos de aflição irresistível. Mas é mais provável que, no caso, o consumo de antidepressivos seja apenas prova suplementar de que as pessoas dessa idade são especialmente “vulneráveis”.
Em suma, resta a pergunta: o que acontece, entre os 40 e os 64, que levaria ao suicídio mais indivíduos do que em outras faixas etárias?
Sabemos que as adversidades desesperam os adolescentes porque eles têm dificuldade em enxergar um futuro possivelmente diferente.
E imaginamos com facilidade que as enfermidades e o sentimento do fim que se aproxima possam levar alguns idosos a precipitar o desfecho. Mas adultos na plena força da vida?
É claro, a meia-idade é a época em que os executivos que perdem seu emprego ficam no limbo -demasiado qualificados e já “velhos” para retomar sua carreira. Mas, nos exemplos trazidos pelo “New York Times”, os suicidas de meia-idade não parecem ser vítimas de crises profissionais.
Algumas observações:
1) Nas últimas décadas, mesmo nas fileiras de quem acredita em Deus ou na revolução futura, vem se impondo a vontade (ou a necessidade) de justificar a vida “por ela mesma”. As aspas servem aqui para lembrar que ninguém sabe o que isso significa. Alguns pensam nos prazeres que eles se permitem, outros na satisfação de serem úteis ao próximo, outros ainda avaliam a qualidade estética de sua história ou valorizam a variedade e a intensidade de suas experiências. Seja como for, a vida deveria valer a pena pelo que a gente faz, pela própria experiência de viver.
2) Acrescente-se que, a partir dos anos 60, os adultos de nossa cultura começaram a se preocupar com a adolescência -ou seja, entre outras coisas, passaram a querer furiosamente que suas crianças se preparassem para elas serem “felizes” um dia (em todos os sentidos: sucesso amoroso e financeiro, êxtase, bom humor permanente).
3) Chegam hoje à meia-idade as gerações que cresceram esperando uma “felicidade” que daria sentido à longa “preparação” de sua adolescência e convencidas de que a vida deve se justificar por ela mesma. Os que fracassaram têm sorte: eles podem se dizer que a coisa não deu certo. Os que se acham bem-sucedidos esbarram, inevitavelmente, numa questão inquietante: “Então, é isso? Era só isso?”.
Estreou na sexta passada “Antes de Partir”, de Rob Reiner, com Jack Nicholson e Morgan Freeman. É a história de dois homens que aprendem que eles têm seis meses de vida, escrevem uma lista das coisas que gostariam de fazer antes de morrer e saem pelo mundo afora. Alguns críticos adoraram, outros acharam que os atores não salvam um roteiro em que as últimas vontades dos protagonistas parecem oscilar entre a obviedade (beijar a moça mais linda, pular de pára-quedas, fazer um safári) e a pieguice (reencontrar os que a gente ama de verdade, causar alegria na vida dos outros etc.).
Para mim, é a própria trivialidade da lista dos dois amigos que faz o charme do filme. Na hora de bater as botas, diante da pergunta “Que mais poderia ter sido minha vida?”, é tocante constatar que, no fundo, gostaríamos que tivesse sido mais do mesmo.

by Calligaris

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2802200832.htm

Nós e os mistérios

Por que gostamos tanto de um mistério? Me perguntei isso pensando em Lost, a febre dos ultimos anos. E quando temos algumas respostas, em grande maioria, não ficamos satisfeitos com elas.

Os mistérios despertam em nós a imaginação e criatividade. Então é natural que a decepção aconteça quando a resolução do mistério não vai conforme nossas expectativas. Só costumamos gostar da solução quando esta ultrapassa qualquer idéia que já possamos ter tido.

O grande mistério da vida humana é a morte. Dessa, não sabemos como é, o que é, e o que acontece quando vem. Não é a toa que os filmes acerca desta assunto fazem sucesso. Uma variante são os que tratam sobre sumiço, desaparecimento, que é o caso de Lost. Ninguém sabe da onde vieram e nem pra onde vão. O não saber do mistério nos instiga, e nos afronta. Somos narcisicos, e achamos que, por sermos os mais inteligentes dos animais, devemos saber tudo sempre. E os mistérios vem pra nos mostrar o quanto não somos assim tão poderosos, e também para nos colocar de frente com nossos limites.

Qual o mistério da vida? Qual o mistério da morte? De onde vim e pra onde vou? Então, na ausencia de resposta e na inquietação que isso nos traz, melhor pensar em Lost.

Vicio

Quando escrevi meu Tcc, na faculdade, já lá eu estava brigando com a modernidade e o pacote que vem com ela. E quem diz que é porque sou conservadora e antiga, está engando. Eu simplesmente adoro a maioria das coisas que o pacote da modernidade trouxe. Incluindo o capitalismo que tanto critico. Mas hoje eu vou só falar da tecnologia.

Eu adoro a tecnologia. Sempre achei um absurdo a gente ter que sair do carro, ou de casa, comprar uma ficha e andar até o orelhão mais próximo para simplesmente fazer uma ligação de emergência. o celular não poderia ter vindo em melhor hora. E você ter que datilograr um texto, uma hitória, e se errasse bem no final, tinha que começar tudo de novo? Pra fazer uma pesquisa tinha que fazer uma andança entre três ou quatro bibliotecas, pegar enciclopédias pesadíssimas e durante as horas de leitura não podia nem comer ou beber algo porque era proibido. O computador resolveu isso e mais um monte de outras coisas.

Sim, a tecnologia veio pra facilitar nossa vida. E eu sou a pessoa mais a favor disso. Adoro a agilidade do email, do utorrent, do acesso as noticias, enfim tudo. Mas você conhece os seres humanos? Quando nego dá a mão, a gente quer o que? O braço! E quando a gente dá o braço nego quer o que? O corpo todo.

Nós, como seres humanos somos eternos insatisfeitos por natureza. Queremos sempre melhorar tudo, mesmo aquilo que nem precisa de melhora. Estamos sempre em busca de facilitar tudo na vida. E isso é muito bom em diversos momentos. Mas tudo em exagero não faz bem. Não é a toa que vivemos o momento mais sedentário da história. As pessoas são gordas mas desnutridas! As doenças psicossomáticas nunca pipocaram tanto entre os jovens e novos adultos. As doenças do humor são uma febre, entre elas a ansiedade, depressão, transtorno do défict de atenção, bipolaridade, entre outros. Mas porque, porque se a tecnologia é tão boa pra gente???

Primeiramente porque os seres humanos se esquecem do básico. Cada animal tem as suas necessidades básicas, como alimentação, procriação, etc. E uma entre as necessiades básicas dos seres humanos está o relacionamento. Mas ai, diz você, a tecnologia incentiva e facilita os relacionamentos, certo? Certo, em termos. Porque ela também ajuda a ilusão de relacionamento. E porque tudo em exagero não é bom.

Você tem lá cem pessoas na sua lista do Msn, mais de mil amigos no orkut, quinhetos seguidores no twiter, mas, com quem de fato você se relaciona ou só tem a sensação de que se relaciona? Quantas dessas pessoas você é intimo para dividir não so as alegrias e noticias, mas também as tristezas e lamurias? Pra responder essa pergunta, basta pensar: se você morresse hoje, quem iria no seu funeral? Muito funesto? Ok, se você se casasse hoje, quem dessas pessoas convidaria para seu casamento? A lista de repente ficou bem pequena né?

É ai que entra o vicio. Usamos a tecnologia porque ela facilita a nossa vida e porque é gostoso, ou porque sentimos necessidade de usá-la?

Lacan estudou muito a questão do vazio. Nós como seres humanos lidamos a priori com o vazio da vida. Pra que nascemos e vivemos se morreremos? Simplificando, algo nesse caminho. Onde achar sentido pra fazer as coisas do dia-a-dia, dividir o que é chato e o que é gostoso fazer, sem ficar sempre de cara com o vazio? Onde encontrar sentido pro que fazemos, desde a hora que acordamos até a hora que dormimos. Pois ai entra a internet. Ela preencheu um vazio gigantesco de muitas pessoas. Se você é timido, não precisa mais ser só, não precisa mais se esforçar para fazer amizades, não precisa nem se relacionar diretamente com ninguém, a internet preenche teu vazio de N maneiras. Se você é ansioso e não aguenta ficar um minuto “sem fazer nada” (conversando, estando em compania da familia ou de amigos, isso entre outras coisas hoje é considerado não fazer nada) a internet tá ai, pra vc ficar horas com mil coisas pra fazer ao mesmo tempo. Se você não tem paciencia pra conversar porque vc nunca consegue falar e ainda tem ouvir, ao invéz de aprender a dialogar, aprender a escutar, não, usa o msn que vc tagarela a vontade e o outro também, e isso se torna uma diálogo.

Estou sendo muito radical? Não, porque acho que essas ferramentas todas também ajudam e muito. Alguns timidos começam a se relacionar pela internet, mas depois conhecem as pessoas, vão atrás do contato intimo. Muitas pessoas usam o msn para estudar, conversar com pessoas que estão longe, enfim, existem N usos bons para a tecnologia em geral. Mas chega um momento quando, duas crianças combinam de se encontrar numa lan house pra bater papo, e uma senta do lado da outra no computador, ligam o msn e começam a conversar, ai você se pergunta pra onde estamos indo…
Ou ainda uma familia que cada um tem um computador em um comodo da casa, e eles conversam mais via rede do que pessoalmente…

Em seu estudo, o Instituto de Psicologia Educacional da Universidade Humboldt, de Berlim, cita as seguintes características para se detectar a dependência da rede mundial:

1-Estreitamento da margem de comportamento

Quase todo o tempo disponível é empregado em atividades relacionadas à Internet. (Neste aspecto, contam também as muitas atividades além do tempo em que se está online, como por exemplo consertos e instalações no computador).

2- Perda de controle

Tentativas de restringir as atividades na rede fracassam. Intenções de mudar o comportamento não são concretizadas, apesar da firme vontade.

3- Perda da sensação de tempo

A expansão temporal das atividades online aumenta constantemente até ocupar completamente a cota de tempo diária que a pessoa tem à sua disposição. Com o aumento da dose, perde-se a sensação de tempo.

4-Desintoxicação psíquica

Em caso de uma interrupção temporária do uso da Internet, aparecem sintomas de desequilíbrio psíquico (nervosismo, irritação, agressividade). A isto se acrescenta um forte desejo de retomar as atividades online.

5- Conseqüências sociais negativas

Especialmente nos setores sociais “trabalho/rendimento”, bem como nas relações sociais (problemas com o patrão, na escola, família, namorada, etc…)

Para o especialista O’Neill, um sinal de que uma pessoa pode estar viciada nesse tipo de coisa é o fato de ela escolher conversar por MSN, e-mail ou por correio de voz, por exemplo, em situações nas quais o contato físico, “cara a cara”, seria mais apropriado.

Ele também cita como um comportamento preocupante o hábito de deixar de passar tempo com a família ou os amigos para checar o correio eletrônico, telefonar, ou usar a internet. Ou ainda a incapacidade de sair de casa sem o celular, ficar relaxado sem checar o e-mail constantemente ou parar de usar a rede.

Pra que estou escrevendo isso? Porque acho os seres humanos adoram um vicio. Quem não é viciado em alguma coisa?? Não estou aqui para radicalizar nem defender os extremos. Estou aqui propondo uma discussão acerca das tecnologias e do nosso futuro. Será que precisamos de um celular que tem camera, mp3, gps, acesso ao email, video, tv, etc etc? Será que precisamos checar nosso email incessantemente inclusive de noite e nos finais de semana? Será que precisamos comprar tudo que lança se o que temos já nos serve? Será que é certo ensinar nossos filhos a usar o msn, para depois larga-los numa lan house, enquanto poderiamos chamar os amigos para passar a noite em nossas casas? Será que precisamos comprar um video game individual pra cada um deles, ao invés de comprar um que sirva pra toda familia junta? Será que todos os nossos projetos de futuro, de dinheiro e de vida precisam depender de algum programa do computador?

A psique

Pessoal pensa que só porque é psicólogo ou psiquiatra que é perfeito. Ser um desses siginifica que a pessoa é perfeita, não tem nenhum problema, não tem nenhum trauma, não tem nenhuma questão pessoal sem resolução. Ou ainda não tem direito de dar ataque, ter ciumes, ter medo, ter inveja, gritar, desabelar, enloquecer de vez em quando.

Sinto informar que, FELIZMENTE, quando somos psicólogos continuamos sendo seres humanos, ou seja, continuamos sentindo e vivendo tudo como os outros. Se a psicologia muda alguma coisa? Muda, e muuuito, mas não porque a estudamos só, e sim porque geralmente quem estuda faz sua própria análise, e assim passa a lidar melhor com suas proprias questões e afins, e assim se torna apto, em certo momento, a atender outras pessoas e ajudá-las com suas questões.

Então, o que faz um bom psicólogo? Não é um ser humano perfeito, curado, porque isso não existe, tenho certeza. Mas com certeza alguém que está sempre apto a aprender muito de si mesmo e dos outros, com os outros, sempre.

Digo isso porque essa semana vi o psiquiatra do BBB “enlouquecer” e um dos participantes, e metade do Brasil dizia “nossa, mas quem vai querer ser paciente desse cara, que deu esse ataque?” Junto a isso, eu mesma essas ultimas semanas estou as voltas com minha parte exibicionista, no ensaio nu da revista. E ai que acho importante reforçar que todos, TODOS mesmo temos nossas questões, e continuaremos a ter, sempre, porque somos seres humanos, sempre, independente da profissão.

Juventude

Onde vai parar a força e a energia que a gente tem quando é jovem? Jovem, o que é ser jovem?

Ser jovem é um conceito que não tem nada a ver com idade. Muitas pessoas passam pela juventude em momentos diferentes da vida. As pessoas ficam tentando determinar o momento certo de ser jovem, mas a verdade é que isso não existe. Tem pessoas que conseguem ser jovens logo cedo, enquanto outros demoram um pouco pra curtir essa fase da vida. Então o que define ser jovem? É só uma fase ou acontece em diversos momentos diferentes da vida?

Até pouco tempo não existia juventude. Ou você era criança, ou você era adulto e velho. Não existia um momento para curtir sem pensar nas responsabilidades, pra agir sem pensar, pra acreditar no abstrato e pra sempre ter certeza que tudo ia dar certo.Viver a sensação de que o mundo é pequeno pra você, a vontade de devorar tudo que passa pela frente, o principio do prazer a toda, permitindo com que a pessoa não veja obstáculos na sua frente. Será que isso é juventude?

É uma energia que nunca termina. Você acorda querendo algo mais, e vai dormir quando o corpo não aguenta mais ficar em pé. São as baladas intermináveis, os mil amigos, as paixões avassaladoras de uma semana, as bebidas, os cigarros, as voltas de carro, as músicas frenéticas, o sexo que transforma dois em um, a sensação de infinitude do momento, o tempo paralisado para que tudo isso aconteça…

E no fim, tudo isso é ser Jovem? É a sensação de ainda ter uma vida inteira pela frente, em qualquer idade?

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