Archive: Pessoal

Dia das mães

Já entraram nesse site? Vale muito a pena. A coisa é que todo domingo eles colocam os melhores recebidos, geralmente unidos por um tema. São segredos, que as pessoas mandam em post cards. O dessa semana foi, óbvio, o dia das mães. Esse mexeu comigo. Vai lá, vale a pena.

worthit

Open arms

Vocês ainda se lembram da época em que ainda tínhamos ídolos? No meu caso, era a Mariah Carey. Já terminaram de rir? Pois é, nessa época, ela ainda não era o que é hoje. Alguns fans antigos chegam a dizer que antes ela cantava com o coração, e hoje canta com a bunda. Pois é. Sem entrar nessa questão, afinal, todo mundo tem direito de fazer o que quiser da sua vida, inclusive ela, volto ao tempo em que as coisas eram um pouco diferentes.

O ano eu acho que era 1995, ou algo por ali. Com treze anos, eu fazia o que era esperado de mim, estudava e tinha meus amigos. A primeira vez que escutei Mariah Carey, foi quando fui passar um final de semana na casa de uma amiga. Mellissa era a menina do colégio que todo mundo queria ser amiga, e eu ainda não tinha conseguido entender como eu, reles mortal, tinha conseguido ser amiga dela e ainda ter sido convidada pra conhecer sua nova casa. Que casa! Na serra, a casa dela tinha muitos andares, muito quartos, muita coisa chique, muito com o que ficar encantada. E tinha Mariah Carey, ou melhor, todos os CD´s e VHS importados. Não sei bem se eu era fã da Mellissa ou da Mariah Carey, mas acho que uma coisa se misturou na outra, e eu voltei daquele final de semana com todas as músicas dela gravadas em fita.

O primeiro Cd que tive dela foi o Acústico MTV, que meus pais me deram, e também eram obrigados a ouvir em todas as viagens que fazíamos para o Rio, o que alias, acontecia bastante ainda naquela época. Era uma guerra no carro, eu queria escutar Mariah e minha mãe queria escutar Barbra Streisend. Mas eu provavelmente escutava Mariah mais do que as pessoas podiam suportar, hoje sei disso.

Fui crescendo, namorando, beijando aqui e acolá e fazendo outras coisas um pouco avançadas pra idade, mas Mariah Carey sempre me acompanhou, a essas alturas já com todos os CDs´s e músicas novas. Depois que ela se separou e lançou Butterfly, o Cd que mais gosto dela, minha mãe já estava casada com outro homem, o Fernando, e agora era ele quem tinha que me ouvir cantar desegrenhadamente Mariah, afinal, qual o graça de escutar quinhentas vezes a mesma música e não poder gritar junto com ela?

Eu não sei bem quando a nossa relação foi se desfazendo. Ainda a admirei por um bom tempo, durante minha gravidez e difícil adolescência como mãe solteira, durante meus dias de trabalho precoce, durante meus dias de tristeza e choro escondido, enfim uma hora dessas, entre um dia e outro, eu amadureci. E quando a gente cresce, a relação de ideal do mundo fica estremecida. A gente passa a ver que todo mundo tem defeitos, todo mundo passa por dificuldades, todo mundo fica frustrado de vez em quando. Mas até hoje me faz bem, de vez em quando, entrar no youtube e assistir a velha e boa Mariah Carey, porque me faz lembrar de um tempo bom, muito difícil, mas cheio de boas lembranças.

E você, quem era seu ídolo?

 

http://www.youtube.com/watch?v=d1zbAqmwJgc&feature=related

 

Meu Consultório

Depois de muito tempo desejando, finalmente tenho meu próprio consultório. Pra quem não sabe, sou Psicólga e Psicanalista, e estou desde 2005 na luta que todo mundo passa no começo de carreira. Pois então, apresento a vocês agora meu consultório (na verdade só uma parte dele), que fica na Vila Mariana.

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Off topic

Hoje passei uma hora só pra marcar uns exames e médicos. Pois é. A maratona de saúde no Brasil cada vez piora. Essa é a única hora que concordo com meu marido que o Brasil só piora. Mas, como ja sabemos, lá nos Estados Unidos a coisa não é melhor. Então, onde podemos ter esperança de uma saúde melhor? Vamos começar do começo.

Já começa que em SP Naturalmente a gente tem a saúde pior. O ar é super poluido, levamos uma vida sedentária, já que com a distância do trabalho e o trânsito não sobra tempo pra exercícios (sejamos realistas). A nossa comida não é de qualidade, não é repleta de frutas e verduras até porque teriamos que ter tempo para ir sempre a um sacolão ou mercado, e sejamos novamente realistas, vivemos com pressa.

Mas ai, já que trabalhamos tanto, e a Saúde pública é mesmo uma merda, a gente se acha bom o suficiente pra ter um plano de sáude particular. No final do ano passado, em Outubro mais ou menos, decidimos optar pelo mais caro, porém considerado melhor plano de saúde, afinal temos dois filhos e as crianças precisam do melhor. Digo isso porque já tivemos experiências traumáticas com hospitais medianos, coisa de passar uma semana vendo seu filho de nem um mes sendo furado por todos os lados, e ele não tinha nada, uma simples reação alergica a uma vacina, e ainda uma conta final de 2.700,00. Assim, traumatizados, pensamos que realmente economia em plano de saude é economia de burro. Bom, na saga, descobri que todos os bons medicos que conhecemos ja não atendem em planos comuns. Eles so são conveniados aos grandes e bons planos de saudes que hoje só trabalham com empresas. (Chamo de bons médicos aqueles que se relacionam com você, guardam seu histórico, não tem pressa em te atender em cinco minutos, obviamente trabalham pelo prazer de trabalhar). Enfim, como não somos assalariados, já de cara fomos descartados das melhores opções, sem nem ter a chance de querer pagar por elas. Mas nos lembramos de um colega de trabalho do meu marido, que tinha uma pequena empresa e ja trabalhava com a Bradesco Saude, então decidimos optar por ela. Caro? Com certeza.Setecentos reais sairiam do nosso bolso todo mes, pra tudo pra ter o melhor pra familia quando necessário.

Parenteses Importante: Meu filho mais velho tem um tipo de deficiencia visual, Visão Subnormal. Deficiencias não entram nos planos de pre-existência exatamente porque não tem cura, portanto não existe tratamento. Isso é dito numa lei qualquer ai.

Bom, em outubro entrei em contato com a Bradesco Saude, uma corretora foi em minha casa e disse que tudo se resolveria em um mês. Qual foi munha surpresa, quando em dezembro, nem sinal de vida da Bradesco. Pois é, aparentemente tinham perdido nossos documentos. Quando achados, já no final de dezembro, o corretor não queria fazer o plano pois inistiu que meu filho deveria entrar como pre-existente, e assim não poderia usar o plano durante seis meses. Eu, que já faço isso ha pelo menos nove anos, e sei bem dos meus direitos, encaminhei a ele não só o diagnostico medico da deficiencia do meu filho, como também encaminhei o numero da lei que dizia que ele estava muito, mas muito errado. Trocando em miudos, ele disse que entao ia fazer meu plano de qualquer jeito e depois eu é quem me virasse quando precisasse usar. Mandei ele enfiar meus papeis no c* e decidi fazer o plano de saude com outra empresa.

Entre as empresas que fazem planos para nós, reles mortais que não somos CLT, uma das melhores, segunda uma pesquisa, é a Unimed. Fui prontamente atendida e não tive nenhum problema, meus cartões chegaram em 15 dias ao custo de 600 reais pra minha familia. Pensa que isso ajudou o problema? Melhorou, com certeza, mas o negócio não termina ai.

Pra marcar com um médico ginecologista foi rápido. O duro foi marcar as 13:30 e ser atendida as 15:00. Bom, isso já entra um outro problema que é como os médicos querem marcar 5 pacientes em uma hora, pra ganhar mais dinheiro, e não se importam com o fato de que é obvio que eles vão nos deixar esperando, muito, e isso é uma falta de respeito, mas e dai, problema nosso né? Depois de todo esse tempo esperando, ainda tive que ouvir umas asneiras grandes de uma mulher preconceituosa, só porque eu tinha silicone, entre outras coisas. Ok, deixa a infeliz pra lá. Pra marcar meus exames, hoje passei uma hora no telefone. E olha só que coisa, hoje é dia 9 de abril, e só tem agendamento pro dia 25 de abril. Se eu precisasse dos exames com urgencia, tava ferrada. Mas vocês ainda não viram nada.

Fui marcar pediatra para meus filhos, afinal tudo isso de pagar plano de saude foi pensando neles, em como crianças ficam doentes e precisam ir periodicamente ao pediatra. Pois é, hoje é dia 9 de abril e 99% dos pediatras (que são poucos alias, o que enfatiza o desprezo dos atuais estudantes de medicina em fazer Pediatria, mas isso é outra historia) só tem agenda pra junho. JUNHO. Preciso dizer mais alguma coisa?

Na boa, a saúde do Brasil é uma merda, e os médicos todos uns vendidos. Porque hoje, se o cara me cobra 150 reais uma consulta, ele é bom e me atende num tempo razoavel, eu não acho absurdo paga-lo este valor. Alias, sairia mais barato do que pagar 600 reais por mes. O médico ficaria feliz (pois não seria um vendido de plano de saude, recebria bem pela sua consulta e atenderia bem). Mas o sistema é tão vendido, que ficamos com um medo enorme de ficar um dia internados, e quando vem a conta, de quatro dias de internação, a 2700 e você vai olhar a conta e os caras colocam coisas lá só pra aumentar o valor da conta, coisa que você não tem nem como conferir, ai você percebe que hoje a saude no brasil não é nada mais do que uma forma de ganhar dinheiro. E pior são os médicos se vendendo a isso.

Basicamente hoje no Brasil não é so o pobre que se ferra. Mesmo quando você quer pagar e paga bem por um serviço, ainda sim você será muito mal atendido. Porque pelo visto, pagar 600 reais por mes de plano de saude é considerado normal, como se as pessoas conseguissem 600 reais na esquina. Bom, pelo visto os medicos conseguem, afinal somos nada mais do que gado aos olhos deles, o importante é o dinheiro que todos juntos damos a eles no final, se tivermos sorte de continuarmos vivos.

Ai as pessoas perguntam: Poxa, porque quase não tem psicólogo ou psicanalista nos convênios? Primeiro porque não trabalhamos como os médicos. Os planos querem nos pagar coisa de quatro reais a sessão (QUATRO REAIS, hellooooo). Só que a gente não pode sair marcando cinco pacientes por hora, porque esse simplesmente não é o jeito que se trabalha em psicologia. Você fica no mínimo meia hora com o paciente. Ah e os planos de saudé só querem pagar uma sessão por mês, e a gente trabalha com no mínimo um sessão por semana. Ah, e mais, eles querem um CID e querem um tratamento, ou seja, uma data de começo e fim, coisa que não é possível em psicologia. Sim, você pode até dar uma hipótese diagnóstica pra agradar o plano de saúde, mas entrar nesses métodos quadrados que eles nos exigem não dá. Assim, como a grande maioria dos Psicólogos não se vende (sim, porque alguns infelizmente se vendem),( e também outros profisisonais da Saude), eles, médicos, decidem fazer a lei do ato mèdico. Uma lei absurda (google it), que entre outras coisas, diz que pra você ir no psicologo, primeiro teria que passar num clinico geral e este, se achasse que você precisa mesmo (tipo, quem é ele pra achar qalquer coisa de um paciente que claramente que ir ao psicólogo), te indicaria alguém, e esse alguém teria que propor inicio e fim do tratamento. Precisa dizer mais?

Precisa. Precisa dizer que poucos médicos não se vendem a esse método. Esses médicos são bons, gostam do que fazem, e, olha que engraçado, ganham dinheiro porque os pacientes gostam deles, indicam pessoas, e voltam sempre. Agora a grande maioria já começa errado na escolha da especialização, que não é o que gostam, mas o que dá mais dinheiro. Depois atendem e atuam na medicina de forma burocratica, esquecendo que na área da saude a gente lida com Seres Humanos, não dá pra tratar como número. Nao dá pra ter esse desrespeito que têm com as pessoas. E quando percebem que estão perdendo área, (não é a toa que as ditas medicinas alternativas explodiram no anos 2000, afinal, ninguém aguenta mais ser tratado assim pelos médicos, então vamos todos buscar outra coisa - o que nem sempre é o melhor, mas enfim, isso é outro texto) eles vão lá e inventam um lei pra controlar os outros profissionais que se recusam a cuidar do ser humano como eles cuidam.

Ah, vão todos tomar no meio do c* bem grande. Desculpem se fui muito radical no texto. Não sou ingênua de achar que tudo é oito ou oitenta, mas escrevi o texto no calor da raiva, provavelmente enfatizando só as coisas ruins, porque afinal, é assim que se cutuca a onça. E tenho dito.

Fernando Pessoa III

Tenho pena e não respondo

Tenho pena e não respondo.
Mas não tenho culpa enfim
De que em mim não correspondo
Ao outro que amaste em mim.

Cada um é muita gente.
Para mim sou quem me penso,
Para outros --- cada um sente
O que julga, e é um erro imenso.

Ah, deixem-me sossegar.
Não me sonhem nem me outrem.
Se eu não me quero encontrar,
Quererei que outros me encontrem?

                  Fernando Pessoa

Uma mente brilhante

Eu choro toda vez que assisto esse filme. Alias, chega uma hora que não paro mais de me emocionar. É muito bonito ver o trabalho de uma pessoa tentando se livrar de seu sintoma, de suas loucuras.

O filme fala de uma esquizofrenia, mas é possivel fazer um paralelo com o trabalho de análise. Como ele, chegamos num ponto em que sabemos do nosso sintoma, mas simplesmente não conseguimos nos livrar dele. Porque sempre tem algo bom junto. A cena que ele se despede do amigo e da menina e diz: Olha, você foi um grande amigo, mas não vou mais conversar com você. Essa cena mostra o exato momento no qual ele decide não mais se deixar levar pelas coisas boas do seu sintoma. Mas o sintoma não o deixa. Continua com ele ate o fim da vida. E assim é também a análise. O Sintoma nunca nos deixa, fica sempre junto com a gente. O que fazemos e não nos deixar enloquecer por ele.

Uma outra cena, em que ele insistentemente vai para a faculdade, e todos o acham estranho, todos tiram sarro dele. Mas mesmo assim ele persiste. E não é assim com todos nós, quando vamos procurar um psicólogo, as pessoas a nossa volta não entendem, não concordam e acham isso estranho. Mas insistimos para que algo de bom aconteca no final.

Me emociono toda vez que vejo esse filme porque acho bonita a luta dele contra ele mesmo. E isso também é muito bonito de se ver em análise. Brigramos o tempo inteiro com coisas que estão dentro de nós mesmos. E como é dificil essa luta. E como é bonita e recompensante no final.

Eu e a Psicanálise

Tenho pensando muito sobre meu lugar como analista, meu lugar na psicanálise, e a intimidade do analista nos tempos da internet.

Muito se diz e não diz a respeito do sigilo analítico. Não do que se fala em análise, mas do que é a analista para seu analisando e na sua propria vida. Explico: Segundo Freud e Lacan, o ideal é que o analisando nada saiba de nossas vidas, pois, quanto mais neutros somos mais possibiltamos que o analisando nos veja como o Outro que ele deseja que sejamos, seja esse Outro qualquer figura. Assim possibilitamos a transferencia e a ánalise em si. Passamos de papéis, durante a ánalise, de mãe, pai, irmão, filhos, marido, esposa, exatamente por sermos neutros e possibilitarmos essa transferencia.

Mas algo sempre me incomodou e incomoda com isso. Primeiro porque a neutralidade é simplesmente impossivel. Por trás do analista existe um ser humano, que por mais que faça quinhentos anos de analise e supervisão, tem suas particularidades, inclusivo no tratar com os seus clientes. Assim, já acho que é impossivel ser neutro. E nisso a série In treatment (passa na HBO) fala bem. Até porque não sermos neutros ou mesmo errando também conseguimos ir adiante com a analise. E mais ainda, com diz Irvin Yalom, é errando que muitos analisando nos percebem proximos a eles, implicados em suas histórias. E se torna necessário nossa particularidade para que, em alguns casos, a transferencia se faça.

Também não podemos deixar de falar que vivemos no momento da informação. Ela esta em todos os lugares, e com a internet, se torna impossível não acessa-la. Lá, pesquisando o nome do seu analista você pode descobrir tudo o que ele anda fazendo pela internet e até em sua vida. E nos casos em que o analista consegue não usar a internet, você pode não descobrir nada sobre sua vida pessoal, mas ainda consegue saber tudo sobre sua vida profissional, com o curriculo lattes, com os congressos que participa, enfim, todo o caminho profissional que ele percorre. E, vamos ser honestos aqui, isso já não é o suficiente pra saber muito sobre ele? Podemos pensar, pelas escolhas de pesquisa que faz, que tipos de interesses tem e pra onde caminha.

Tendo acesso a tudo isso, como fica a tal neutralidade? Como fica a relação analista-analisando? A transferencia se faz? Ainda conseguimos ser aquele a quem o analisando verá o Outro que quiser?

Pois eu digo que sim. Pela minha própria experiencia de analise, e com base em alguns pesquisadores do assunto, como Irvin Yalom. Uma vez estabelecida a transferencia, (que pode ocorrer inclusive porque o analisando acha que sabe muito de você, ou porque seus interesses aparentemente cruzam com os dele) a análise é possivel.

Nem tudo é perfeito. Podemos perder clientes dependendo da informaçao que eles leem a nossa respeito. Mas mesmo antes disso já perdiamos quando estes nao tinham o “clic” com o analista escolhido, ou melhor explicando, quando, por qualquer motivo, a transferencia simplesmente não era estabelecida.

Se antes era mais fácil? Talvez, ainda não conseguimos medir o quanto as mudanças afetam o decorrer da ánalise. Mas o importante é pensar que a dificuldade de estabelecer a transferencia e mesmo deitar no divã (se livrando assim da necessidade de ter a figura do analista como Outro)acontecia antes e continua acontecendo agora, pois se trata de um processo de inicio de analise, independente do que o analisando sabe ou pensa saber de seu analista. Cabe aos analistas a função de manejar o quanto essas informações podem se tornar material de analise do analisando e não de si próprio.

Só mais esses!

Esses me fizeram rir e achar fofo, coitados!

Meus favoritos do top 24

Nunca vou me esquecer dessa audição

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