Archive: February 2008

Eu e a Psicanálise

Tenho pensando muito sobre meu lugar como analista, meu lugar na psicanálise, e a intimidade do analista nos tempos da internet.

Muito se diz e não diz a respeito do sigilo analítico. Não do que se fala em análise, mas do que é a analista para seu analisando e na sua propria vida. Explico: Segundo Freud e Lacan, o ideal é que o analisando nada saiba de nossas vidas, pois, quanto mais neutros somos mais possibiltamos que o analisando nos veja como o Outro que ele deseja que sejamos, seja esse Outro qualquer figura. Assim possibilitamos a transferencia e a ánalise em si. Passamos de papéis, durante a ánalise, de mãe, pai, irmão, filhos, marido, esposa, exatamente por sermos neutros e possibilitarmos essa transferencia.

Mas algo sempre me incomodou e incomoda com isso. Primeiro porque a neutralidade é simplesmente impossivel. Por trás do analista existe um ser humano, que por mais que faça quinhentos anos de analise e supervisão, tem suas particularidades, inclusivo no tratar com os seus clientes. Assim, já acho que é impossivel ser neutro. E nisso a série In treatment (passa na HBO) fala bem. Até porque não sermos neutros ou mesmo errando também conseguimos ir adiante com a analise. E mais ainda, com diz Irvin Yalom, é errando que muitos analisando nos percebem proximos a eles, implicados em suas histórias. E se torna necessário nossa particularidade para que, em alguns casos, a transferencia se faça.

Também não podemos deixar de falar que vivemos no momento da informação. Ela esta em todos os lugares, e com a internet, se torna impossível não acessa-la. Lá, pesquisando o nome do seu analista você pode descobrir tudo o que ele anda fazendo pela internet e até em sua vida. E nos casos em que o analista consegue não usar a internet, você pode não descobrir nada sobre sua vida pessoal, mas ainda consegue saber tudo sobre sua vida profissional, com o curriculo lattes, com os congressos que participa, enfim, todo o caminho profissional que ele percorre. E, vamos ser honestos aqui, isso já não é o suficiente pra saber muito sobre ele? Podemos pensar, pelas escolhas de pesquisa que faz, que tipos de interesses tem e pra onde caminha.

Tendo acesso a tudo isso, como fica a tal neutralidade? Como fica a relação analista-analisando? A transferencia se faz? Ainda conseguimos ser aquele a quem o analisando verá o Outro que quiser?

Pois eu digo que sim. Pela minha própria experiencia de analise, e com base em alguns pesquisadores do assunto, como Irvin Yalom. Uma vez estabelecida a transferencia, (que pode ocorrer inclusive porque o analisando acha que sabe muito de você, ou porque seus interesses aparentemente cruzam com os dele) a análise é possivel.

Nem tudo é perfeito. Podemos perder clientes dependendo da informaçao que eles leem a nossa respeito. Mas mesmo antes disso já perdiamos quando estes nao tinham o “clic” com o analista escolhido, ou melhor explicando, quando, por qualquer motivo, a transferencia simplesmente não era estabelecida.

Se antes era mais fácil? Talvez, ainda não conseguimos medir o quanto as mudanças afetam o decorrer da ánalise. Mas o importante é pensar que a dificuldade de estabelecer a transferencia e mesmo deitar no divã (se livrando assim da necessidade de ter a figura do analista como Outro)acontecia antes e continua acontecendo agora, pois se trata de um processo de inicio de analise, independente do que o analisando sabe ou pensa saber de seu analista. Cabe aos analistas a função de manejar o quanto essas informações podem se tornar material de analise do analisando e não de si próprio.

Só mais esses!

Esses me fizeram rir e achar fofo, coitados!

Meus favoritos do top 24

Nunca vou me esquecer dessa audição

Make it happen

Ah como a vida é complicada! O tempo inteiro a gente tem que decidir, escolher, dizer não, correr atrás do que passou, correr pra nçao deixar passar, mudar, crescer, amadurecer, cuidar do outro cuidando de si mesmo…

As vezes dá vontade de ter um diazinho pra não pensar em nada, não ter que fazer nada, vegetar um pouco, não ter que decidir nada ou pensar em nada. É ridiculo pensar isso e querer isso, porque geralmente quando queremos isso é porque estamos diante de um momento de decisão, e não queremos decidir. Esse seria nosso lado covarde nos cutucando pra não fazermos nada e deixar que as coisas se resolvam por si mesmo.

Por isso, não, não tem um diazinho pra não pensar. Tem que pensar sempre, tem que decidir sempre, tem que escolher sempre. Pelo menos a gente pode se arrepender pelo que tentou fazer e não por ter deixado as coisas se auto-solucionarem ou se auto-destruirem.

Cada uma…

A doutora Lorca é a intérprete de nosso tempo. Ontem, o metrô de Londres proibiu um cartaz que reproduz a pintura “Vênus” do alemão Lucas Cranach, feita há quinhentos anos atrás. O cartaz anuncia a exposição em homenagem a Cranach que será realizada pela Royal Academy de 8 de março a 8 de junho deste ano.

Então que fique estabelecido: anúncios de bebida, pode. Mulher pelada, não pode. Anúncios de cigarro, pode. Vagina à mostra, não pode. Anúncios de celular, pode. Seios à vista, não pode. Anúncios de modelos anoréxicas, pode. Coxas desnudas, não pode. Anúncios de remédios, pode. Mulher sensual, não pode. Anúncios de recrutamento militar, pode. Sexo, não pode. Mulher com véu, pode. Mulher tirando o véu, não pode. Deus o livre uma mulher sem véu!

E pensar que há mais de cem anos anunciam o fim da psicanálise, tendo em vista que “não existe mais repressão sexual”. Então, mais um adendo. Terapias cognitivo-comportamentais, pode, terapias neuro-linguísticas, pode, terapias do abraço, pode, terapias do grito, pode, terapias breves, pode. Psicanálise, não pode. A psicanálise é subversiva demais para nosso tempo. Vagina? Sexo? Diferença sexual? Feminilidade? Masculinidade? Falo? Castração? Não pode. Como afirma o comunicado do metrô de Londres, “milhões de pessoas viajam diariamente pelo metrô e não tem alternativa a não ser ver a publicidade ali colocada. Devemos ter cuidado com todos os viajantes e procurar não ofender ninguém.” (fonte: Patrícia Tubella in El País, 14/2/2008).

“Não ofender ninguém”, eis aí a norma de nossa época. Cuidado com o sexo feminino. Ele pode ofender. Agora, o assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes pela “melhor” polícia do mundo, em pleno metrô, isso não ofende ninguém. Ele era um estrangeiro. Aliás, Carnach também. Ainda por cima, alemão. Hum, alemão em Londres? Há mais coisas entre o céu e a terra…já dizia aquele poeta bem inglês. Inglês? Sem vagina à mostra? Então pode.

http://leobelferrari.blog.uol.com.br/

Uma história pra contar

As vezes eu paro pra pensar que, daqui uns anos, estarei velha, bem velhinha mesmo, tipo morrendo já, e será que estarei feliz com tudo que construi na minha vida? Serei capaz de olhar o passado e rir dos dramas que fazia de coisas tão insignificantes, ou mesmo perceber que os grandes sofrimentos eram na verdade somente sentimentos passageiros? Terei feito tempestade em copo d’agua?

 

A gente sofre por cada coisa tão imbecil, mas a gente só consegue perceber que é imbecil quando é o outro que está sofrendo, ou mesmo quando nós mesmos passamos por aquilo, e depois de um tempo percebemos que era tão pouco pra tanto drama…

 

Sofremos porque não podemos trocar de carro, ou porque não podemos comprar um cd, ou ainda porque não podemos participar de tal evento e fazer tal curso. Mas a verdade é, você se lembra, ha dez anos atras, porque vc estava sofrendo naquela época? Era por uma viagem, por um celular, era porque? Não parece idiota que você nem se lembre ou que lembre mas ache tão pouco? E daqui uns anos estaremos pensando assim do presente?

 

pensamentos aleatórios

Muitos filmes estão ai pra nos mostrar que uma simples escolha pode mudar todo o rumo de nossas vidas. Uma única escolha pode arruinar ou melhorar um vida. E não só uma vida, mas também as vidas próximas as nossas. Provavelmente esses são os filmes que eu mais gosto. É assim com Vanila Sky, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, The nines, Infidelidade, Pecado Original, entre outros.

 

Mas além disso, são filmes que falam também da força do amor, de como o amor pode nos salvar de certos erros, ou de como o amor de alguém por nós pode nos salvar das nossas escolhas erradas. E falam também de como a gente pode estragar de vez um amor com nossas escolhas erradas, mas sempre é possivel recomeçar.

 

O amor tudo perdoa? O amor nos cega e nos deixa inocentes e idiotas, ou nos deixa superior as coisas pequenas?

 

Acho que pra pensar essas questões, nada melhor do que pensar, por exemplo, nos amor de pai pra filho. A mãe, tudo perdoa? (sim, mesmo quando é dificil, ela é ainda a única que entende, ou tenta entender). A mãe fica cega ou é na verdade superior as coisas que o filho faz? Nenhuma mãe é cega, só finge que não vê. E pelos filhos faz tudo mesmo, tudo que for possivel. Só que nem todas mães e pais são assim. Existem aqueles que naturalmente não colocam os filhos nessa posição de amor incondicional, ou mesmo não os colocam na frente de si mesmos. São aqueles que tem dificuldade em se colocar em segundo plano. Porque pra estes, eles são mais importantes do que qualquer pessoa, em primeiro lugar sempre eles. Provavelmente porque têm uma dificuldade em perceber que não são o centro do mundo (como diria Lacan, não sao o falo nem da mãe e nem de ninguém). Assim, precisam se colocar em primeiro lugar, já que se colocar em segundeo seria como uma humilhação (tipo, nem eu me coloco em primeiro, quem me colocará?)

 

Dai a gente pode pensar mil coisas sobre esse tipo de pessoa na vida amorosa. Porque se pra essa pessoa se colocar em segundo lugar é intoleravel, ou humilhante, esta pessoa pode sim considerar-se incapaz de perdoar, de enxergar mais adiante, de ser maior do que as pequenas coisas. Esta pessoa achará um absurdo coisas tão menores quando se trata de amor. Esta pessoa não perdoará os minimos erros do outro, porque na verdade não perdoa a si mesmo quando erra. Não admite o erro do outro porque não admite seus proprios erros. Não consegue entender que as pessoas pensam de formas diferentes porque no seu narcisismo não consegue entender que o mundo é maior do que sua cabeça pode aguentar entender.

 

 

Todos deviam ler o livro O Carrasco do Amor, de Irvin Yalom. Dá pra gente tentar se colocar um pouco no lugar do outro, e ver que uma coisa terrivel, aos olhos de um, não é tão terrivel e totalmente compreensivel aos olhos do outro. E tudo tem um porque, mesmo que a gente não consiga ver. E ninguém é 100% ruim ou 100%. Só porque erra feio de vez em quando não significa que não ter carater, pelo contrário, pode ter, e muito mais do que alguém que tenta parecer ser sempre bom.

DR

Porque a gente fica triste, mas também fica feliz.
Porque quando uma coisa dá errado, outra dá certo.
Porque a gente chora, mas também ri.
Porque a gente erra, mas uma hora acerta.

Fox

Meu, li essa repotagem num blog que adoro e acompanho, e achei tão importante que vou colocar aqui o que ele escreveu, e o link para o blog dele.

http://leobelferrari.blog.uol.com.br/

O Jornal Nacional de ontem foi histórico. Ele mostrou o depoimento do presidente da Volkswagen “do Brasil”, sr. Thomas Schmall, sobre os acidentes causados pelo automóvel Fox produzidos antes de 2006. Vale a pena ir atrás dele e também comprar o jornal O Globo de hoje para ler a excelente reportagem de Eduardo Sodré sobre esse tema. No Brasil, é muito comum se culpar a política de tudo. Por que o preço do carro é tão alto? “São os impostos”, grita a indústria. Por que não há mais itens de segurança? “São os impostos”, berram as empresas. É um país muito condescendente com as empresas e empresários, principalmente se forem de outros países. Por exemplo, a indústria farmacêutica deita e rola no Brasil. Nos Estados Unidos onde ela leva processos milionários de consumidores prejudicados, ela pia fino. No Brasil não. Ela faz o que quer, do jeito que quer e ainda é bem recebida onde quer que vá. Ninguém pergunta nada, ninguém cobra responsabilidade de nada, ninguém percebe coisa nenhuma. Não ontem no Jornal Nacional. Em primeiro lugar, em qualquer outro país do mundo exige-se que o presidente de uma empresa fale a língua do país. É óbvio. Pois o presidente da Volkswagen “do Brasil” fala tudo, menos português. Eu só queria ver ele falando um inglês “macarrônico” lá nos Estados Unidos. Bom, em segundo lugar, o “recheio”, o “conteúdo” do discurso desse presidente foi de lascar. Ele negou, diversas vezes, que o “produto” da Volkswagen, o Fox, tivesse qualquer problema. Pior. Ele deixou claro que tudo está advertido no manual do proprietário do veículo – ou seja, é o burro do “consumidor”, que não sabe ler direito, o culpado. É um escândalo escutar uma declaração dessas. Ela é de uma arrogância, de uma prepotência e de uma imbecilidade gigantesca. Pior. Essa declaração revela um problema ético fundamental, que é a impossibilidade do sujeito – e da empresa - de assumir a responsabilidade pelo mal feito. É um escândalo saber que o mesmo automóvel, fabricado para a Europa, é totalmente diferente. Pior ainda. É um escândalo saber que a própria montadora sabia disso desde 2004 quando começou a receber as primeiras reclamações e os primeiros relatos de acidentes com o modelo. Pior ainda. É um escândalo saber que a partir de 2006 a própria montadora mudou o modelo brasileiro – sem avisar, sem alertar, sem fazer “recall” dos modelos 2004 e 2005.
A Volkswagen “do Brasil” não é a mesma da Alemanha. E isso revela um outro problema ético. Parece que, ao cruzar o oceano, essa empresa acreditou que por aqui, vale tudo. Ontem foi o dia em que isso ficou bem claro – nas palavras do próprio presidente. Está na hora dos brasileiros responderem. O que se deve fazer com uma raposa sanguinária, burra e prepotente? Ou será que depois de perder os anéis pagando as suaves prestações, estaremos dispostos a entregar também os dedos? Escrito por Leonardo Ferrari às 07h54

Recent Posts

    Most Commented

      Recent Comments