Devagar e sempre

Bom, sai de férias e não voltei até hoje né? Sorry! Ando lendo muito, Lacan, Quinet, Soler, e por ai vai… Porque para escrever direito é preciso ler muito e estudar!

Assim, prometo que estarei de volta em breve! Enquanto isso deixo com vocês um video sobre Lacan e a topologia. É o que chamamos de último Lacan. Ele dedicou os últimos Seminários a topologia, e ao RSI. Na minha opinião é o melhor Lacan, mas também o mais difícil!

http://www.youtube.com/watch?v=ewa-WUK1z8shttp://www.youtube.com/watch?v=ewa-WUK1z8s

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Filmes de férias

Charlie Bartlett é um filme que parece bobo, mas tem muitas cenas ótimas e acaba sendo um filme muito interessante! Conta a história de Charlie, um garoto que se coloca como psiquiatra da escola, prescrevendo remédios aos amigos e fazendo sessões de escuta no banheiro da escola.

http://www.cinepop.com.br/filmes/charliebart.htm

chalier

Savage Grace, esse filme foi um choque pra mim, e acho que pra muita gente.  Dizem que as pessoas começam a sair das salas de cinema no meio do filme, e eu mesma parei de assitir o filme no meio, e só continuei no dia seguinte. O filme conta uma história real de uma familia desestruturada, que está cercada de sexualidade, incesto e homossexualidade. E se você pensa que são cenas só de provocação, pense melhor, porque o incesto de fato ocorre!!! Chocante, e muito bom!

http://www.omelete.com.br/cine/100009070/Savage_Grace___Mostra_Internacional_de_Cinema_de_Sao_Paulo.aspx

savage_grace

Recomendações

Saí um pouco das férias familiares só para recomendar dois artigos muito interessantes que li hoje. Um deles fala sobre a discussão do que é ou não é ciência, que aliás, é uma discussão que sempre envolve a psicanálise, que não se encaixa nos métodos ditos empíricos. http://www.ieppi.org.br/artigosint.asp?id=57 O outro fala um pouco da neurociência, a nova moda do momento. http://www.ieppi.org.br/artigosint.asp?id=59

Me lembrei também de recomendar o livro da Roudinesco, “Por que a Psicanálise”, para aqueles que querem conhecer um pouco de psicanálise, e também para aqueles que se perguntam se a psicanálise ainda é pertinente num mundo cheio de remédios e outras “soluções”.

Em agosto estou de volta! Até mais.

Sobre o V Congresso dos Fóruns do Campo Lacaniano

Sim, eu fui. Essa semana foi pesada e cheia de infomações interessantes. Anotei muita coisa e tenho muitas coisas para contar e transmitir! Mas depois de uma semana só pensando em psicanálise, estou transbordando Lacan, e por isso um pouco cansada. Depois de aproveitar um pouco as férias dos meus filhos, venho contar tudo que vi e vivi. (hahahah!) Só postei sobre a revista porque estava já na minha cabeça antes do congresso, e acho que é preciso falar das urgências em seus momentos! Ainda não me decidi se ando muito atrevida nas minhas criticas ou muito inocente e utópica nos meus cutucões, mas provocar movimento é sempre bom! Até mais!

Bom, como uma boa psicanalista, me sinto na obrigação de ler tudo que sai sobre análise, Freud, terapias, enfim, o que a mídia fala sobre o assunto. Volta e meia temos revistas abordando esse assunto, sejam as terapias em geral, seja a própria psicanálise, seja Freud, enfim, os assuntos estão sempre pipocando por ai na “boca” das revistas. E hoje vou dar dois exemplos do que pode ser bom e do que pode ser ruim, muito ruim.

A revista Cult do mês de junho, praticamente esgotada antes do final do mês, fala sobre Lacan. Com artigos escritos por grandes nomes da Psicanálise no Brasil, faz um Dossiê muito bem escrito e repleto de informações acerca da psicanálise Lacaniana. A reportagem pode ser lida tanto por psicanalistas, quando por leigos, interessados ou curiosos, o que costuma ser difícil de conseguir em poucas páginas. Recomendo a leitura.

Agora me envergonha uma revista do porte da SuperInteressante fazer um tamanho mal uso de suas páginas, em uma reportagem muito mal escrita. Muito se fala sobre psicanálise no popular, e muito termos psicanalíticos ganharam a boca do povo. Mas a psicanálise de fato fica bem distante desses ditos populares. O que se diz que é a psicanálise e o que de fato ela é, é o mínimo que poderíamos esperar de uma reportagem que se propõe a pesquisar se uma terapia funciona. Qualquer pessoa um pouco mais interessada em saber sobre psicanálise tem a sua disposição milhares de livros, artigos científicos, e até mesmo boas explicações em sites facilmente achados pelo Google. Além disso, muitos psicanalistas ficariam contentes em explicar, desmistificar e colaborar com a reportagem, Por isso me admira uma jornalista não se dar ao mínimo trabalho de pesquisar para falar sobre psicanálise, na reportagem central da revista SuperInteressante, porque é isso que parece.

Primeiro, a reportagem não fala só sobre psicanálise, se propõe a falar sobre “terapias”, e não poderia ser mais geral. Até o dicionário fala melhor sobre terapia do que essa reportagem. Segundo o dicionário Houaiss, terapia pode ser:

1    tratamento de doentes; terapêutica
2    toda intervenção que visa tratar problemas somáticos, psíquicos ou psicossomáticos, suas causas e seus sintomas, com o fim de obter um restabelecimento da saúde ou do bem-estar; terapêutica

Ou seja, a jornalista foi um pouco otimista achando que poderia falar de todas as terapias que se propõem a tratar o humano ou a doença, e ainda verificar se elas funcionam. E é lógico que não foi isso que ela fez. Pesquisadores passam anos tentando fazer isso e não são tão arrogantes a ponto de se pretender a achar a resposta definitiva para essa questão. Então o título da reportagem só deixa uma ilusão de que poderia ser lido.

Assim, da forma mais superficial possível, a jornalista fala sobre Freud e psicanálise sem ter um mínimo aprofundamento, e comete erros primários nas informações que passa na revista. Claramente defende como melhor possibilidade a neurociência, e chega a nos dar a idéia que a reportagem possa ter sido “financiada” por um neurocientista.

Em um momento da entrevista, depois de falar um pouco de psicoterapias influenciadas por Freud, a jornalista diz que o processo de terapia pode ser longo e não dá garantias. Ora, e que tratamento dá garantias reais de “cura”. Primeiro que a psicanálise não propõe “cura”, e não vou aqui no momento desenvolver isso, em outro texto o farei, mas mesmo a medicina com suas cirurgias, a farmacologia com seus remédios e a neurociência com todo seu aparato também não garantem cura! Na hora H, olhando no olho de um médico antes de aceitar um tratamento, ele nunca garante cura. Uma pessoa pode passar por horas de cirurgia, e ainda descobrir que não adiantou, a doença continua, e terá que passar por outros procedimentos. Um paciente pode passar anos tomando um remédio para um TOC, por exemplo, e esse remédio não só não resolve seu problema, só ameniza, como também acaba tendo que ter doses aumentadas de tempos em tempos, ou mesmo uma série de trocas de remédios para ver qual funciona com cada paciente. A neurociência que se diz agora tão dona da nossa cabeça, também não é capaz de prometer curas, e quanto mais avança, mas se percebe que sempre falta algo que ainda é impossível de medir.

Em outro momento a jornalista desmerece o trabalho de Freud, dizendo que muita coisa que ele concluiu, ele mesmo descartou com o passar do tempo, e que a neurociência já descobriu que os sonhos têm é a ver com as memórias do dia anterior. Todo pesquisador tem o intuito de avançar em sua pesquisa, e de fato, qualquer bom pesquisador, ao perceber que algo não funciona ou não é do jeito que ele havia experimentado antes, ele mesmo descartará suas hipóteses. E isso não é considerado um bom pesquisador? Aquele capaz de não aceitar qualquer resposta as suas perguntas, só pra provar uma hipótese, e sim estar sempre investigando o que de mais ainda pode haver sobre a mesma coisa, criando hipóteses, e assim evoluindo com suas teorias e ciência? Por que então Freud é apontado por descartar hipóteses que obviamente ele substituiu com outras ainda melhores? E de que forma tão absoluta a neurociência se autoriza para absolutizar por medição do que os sonhos se tratam?

Adiante, a reportagem continua dizendo que Freud perde lugar na atualidade por dar valor “aos conflitos interiores do individuo”, sem dar importância ao social. Completa dizendo que a raiz do problema está no social, portanto não é possível prosseguir um tratamento baseado somente na psicanálise. De fato, em muitos casos os pacientes utilizam diversos tratamentos associados. A psicanálise entra num trabalho em equipe, mas nesse trabalho em equipe, um profissional não desmerece o trabalho do outro e é exatamente por isso que o paciente se beneficia. Ficar pregando que só “sua ciência” é capaz de eficácia, isso sim é não visar como centro de tudo o paciente. E não, o centro de todos os problemas de um sujeito não é o meio como ele vive. Os problemas só mudam de nome, mas os conflitos nos seres humanos se fazem presente desde sempre. O social interfere? Lógico, interfere muito, mas os conflitos são do sujeito. E cada sujeito tem um conflito. E por isso a psicanálise enfatiza o sujeito e não o tempo em que ele vive. Atenção, nada é deixado de lado, então dizer que a psicanálise não considera o social, é um erro. Agora dizer também que o social é a raiz do problema é outro erro.

Mas a frente, a jornalista descrever vastos experimentos, usando a neurociência, na busca de comprovar se as terapias funcionam. Ao perceber que 80% das pessoas que fazem terapia saem dos tratamentos melhores do que quem não faz, ela afirma que isso não se deve a Freud, já que suas teorias estão ultrapassadas. Não sei nem por onde começar a debater essa afirmação. Não concordo com a afirmação de que Freud está ultrapassado, mas mesmo se estivesse, com cem anos de existência, a psicanálise não se resume a Freud. E por isso ela não é ultrapassada, pois grandes nomes que vieram depois de Freud conseguiram validar diversas de suas teorias e ainda acrescentar muitas coisas a clínica. E muitas coisas que Freud disse há muito tempo ainda são válidas em pleno ano 2008. Não entendo porque o apego da reportagem a figura de Freud, já que a psicanálise tem nomes importantíssimos que a complementam. Faltou ai ampliar um pouco os horizontes, afinal, muito coisa já aconteceu na psicanálise depois de Freud e com Freud.

Para continuar cutucando Freud, a reportagem comenta sobre o fato de que a eficácia de diversas terapias são tão similares quanto a da psicanálise. Algumas pessoas se tratam com terapias diversas, outras com a psicanálise, e o resultado de “cura” é na mesma proporção. E novamente eu pergunto: quem disse que a psicanálise se pretende a “curar” todo mundo? Quem disse que a psicanálise é para todos? Para fazer um paralelo, é só pensar em quantos remédios existem no mercado para tratar de uma mesma doença? Alguns pacientes não podem tomar um tipo, tomam de outro tipo, e se curam. Cada paciente se cura com um remédio diferente, não necessariamente com o mesmo. Porque seria diferente com as terapias? Cada terapia pode ser boa e adequada a cada situação e paciente, oras! Parece-me mais que a jornalista tem uma visão “endeusada” da psicanálise, que ela mesma desenvolveu, e ela mesma pretende retirar. Não, a psicanálise não se pretende a curar tudo e todos. Até porque isso é impossível. Então sim, o mais normal é que todas as terapias tenham sua eficácia, naquilo em que se propõem a cuidar. Agora, partir disso para dizer que a terapia tem efeito placebo, já é um longo salto…

Para finalizar, e na minha opinião assassinar a idéia de terapia, ela diz que a única vantagem de tudo isso, é que hoje as terapias podem ser mais focadas no resultado. Claro, o paciente agora é produto, o analista um empresário, e eles precisam dar resultado. Era só o que me faltava. Dar resultado pra quem? Se já não bastasse o mundo todo nessa forma capitalista em que só busca o produto, o chamado foco no resultado, ainda querem que a terapia, que se pretende a sair desse esquema, ficar focada em resultado!

Posso dizer que a única coisa boa dessa reportagem foi mencionar que cada vez mais se formam psicólogos de forma “porca” e por isso temos um enxame de psicólogos de meia tigela, sem sua própria terapia, sem formação especifica, enfim, mal sabem de si e da psicologia e se propõem a tratar dos outros. Mas uma pena que folhas e folhas de uma revista antes muito bem prestigiada, tenho sido gasta com uma reportagem tão superficial. Faltou pesquisar, faltou aprofundar, falou saber mais para poder criticar. Foi muito geral e ao mesmo tempo cheia de estereótipos. Basta ser um pouco mais conhecedor para ler e saber que se trata de uma reportagem muito simplória.

Pesquisando um pouco mais sobre isso, percebi que a reclamação não é só minha. E não precisa ser psicanalista pra estar indignado. No próprio site da revista, existe um fórum onde todos podem opinar sobre a reportagem, e lá podemos ver que as indignações foram muitas, de todo tipo de pessoas. http://super.abril.com.br/forum/92357_assunto.shtml

Adicionada a reclamação da reportagem, há uma reclamação por reportagens de meses anteriores, que os leitores categoricamente dizem ser simplórias e sem aprofundamento, digno de vergonha em revista de tal nome. Alguns ainda mencionam que a possível queda tenha algo a ver com a troca de diretoria da revista. Não tenho detalhes acerca de tudo isso, então pouco posso dizer, mas fica a questão a saber, o que está acontecendo com nosso jornalismo. Sabemos que muitas reportagens hoje são financiadas por patrocinadores, e ficamos sempre suspeitos com reportagens como essa, que sem nem ao menos disfarçar, defendem a ferro e fogo uma só ciência. Afinal, não seria o intuito da reportagem mostrar todos os lados da moeda, e deixar as conclusões e decisões para o leitor? Como o leitor pode escolher entre uma coisa tão mal-explicada e outra tão bem-vendida?

Outro dia, na livraria Cultura, quando fui adquirir a revista Cult, e não encontrava, a responsável pela seção de revistas, me disse “que a cult acaba logo, porque é a única revista séria entre as que existem, pois a outra que tinha, Entrelivros, acabou”. Pois é, acabou por falta de anunciante, já que hoje tudo se compra, e tudo se quer vender, e em momento nenhum se pergunta o que queremos adquirir, e muito menos se mostram as possibilidades de escolha. Então qual interesse de anunciar numa revista onde as pessoas têm critica e pensam? Fica realmente mais fácil colocar anúncios em revistas onde as informações são só absorvidas, sem critica. E a psicanálise, que se propõe a não entrar nesse jogo, é atacada tão claramente na figura de Freud, fica a se pensar…

(Quer discutir a psicanálise e saber seus pontos fracos? Ok, existem muitos ótimos autores que o fazem e livros diversos que fazem isso com muita pertinência. Porque até pra falar mal é preciso conhecer a fundo do que se fala.) E é exatamente por isso que não posso comentar muito sobre a autora desta reportagem, pois não consegui descobrir nada sobre ela, nem mesmo reportagens anteriores escritas por ela, o que é uma pena.

E como uma boa reportagem se contrasta com essa. Lembram da reportagem por mim indicada, da revista época, sobre o suicídio? http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81603-6014-508-1,00-SUICIDIOCOM.html

A reportagem, super bem escrita fala de um assunto super delicado, o suicido, aborda um assunto mais delicado ainda, a entrevista com um psicanalista do menino que se suicidou, e ainda sim consegue ser ótima, pertinente e interessante.

Deixo para vocês minha visão, e espero que possamos partir daqui para dialogar sobre o tema. Leiam as reportagens e tirem vocês mesmo suas conclusões…

Fantástico

“DEPRESSÃO EM JOVENS
A vida deles [crianças e adolescentes] não é engraçada. Não acho uma idade legal: essa é uma visão idealizada dos adultos. A infância e a adolescência são épocas muito problemáticas da vida. Na infância, estamos longe de corresponder fisicamente e simbolicamente ao que a gente deseja; a palavra da gente é atropelada. Na adolescência, é pior ainda. São épocas de extremo conflito interno, definição identitária, descoberta de fantasias e orientação sexuais. Eu acho que os adultos deveriam parar de pedir para que os jovens sejam felizes, porque isso só serve à vontade que eles têm de ver nas crianças um espetáculo de felicidade.”

 

Calligaris Em Sabatina da Folha, muito bom, leiam http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2105200835.htm

E aqui o vídeo da Sabatina http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u403734.shtml

Semana de Congresso

 

moebp

 

V Encontro da Internacional dos Fóruns

Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano

Os tempos do Sujeito do Inconsciente

A Psicanálise no seu tempo e o tempo na psicanálise

 

São Paulo, 5 e 6 de julho de 2008

Inscrições Esgotadas!!!!!

http://www.vencontro-ifepfcl.com.br/

 

Porém acontecerão nesta semana diversos eventos paralelos, gratuitos, entrem no site e vejam! Começa amanhã!

Manual de uso

É de causar espanto o número de pessoas que entram no meu blog procurando coisas como: “como clinicar”, “como ser psicanalista clínico”, “como atender em psicanálise”, coisas desse tipo. Acho importante falar um pouco disso porque eu mesma já passei por isso. Acho que a gente sai da faculdade com um pensamento, que tem muito esse formato de “receita de bolo”, e ai começamos a estudar um pouco mais a psicanálise e também achamos que vamos encontrar um “modo de usar”.

 

Bom, se você procura uma profissão que tenha um manual de utilização, então a psicanálise não é a profissão para você. Digo isso, porque a psicanálise é muito subjetiva. Não vou aprofundar essa questão, pois poderia ficar horas discutindo aqui sobre a subjetividade. Posso até estar exagerando, pois algumas linhas psicanalíticas até tem algo próximo a uma “receita de bolo”. Mas falando aqui da psicanálise lacaniana, que não deixa de ser freudiana, entramos novamente na história da subjetividade.

 

Sim, a gente estuda muito, aprende muito sobre coisas gerais. Mas tudo pra servir de base para o singular. Basicamente se defende que casa pessoa é única em sua história e experiências pessoais, e apesar de algumas histórias serem bem parecidas com as de outras pessoas, ainda sim é singular, porque ainda sim terá sua especificidade nos detalhes (redundante, mas é para enfatizar!). Partindo daí, não dá pra fazer um manual de instruções. Não dá pra criar uma receita de como ser psicanalista, ou de como atender psicanaliticamente. Cada caso é um caso. O que a teoria faz é te dar suporte e te preparar na medida do possível (ou do impossível!) para o que você pode encontrar na clínica.

 

Por isso que a formação de um psicanalista é tão demorada e tão complexa. Porque não é exata, ela está baseada, acima de tudo, na própria analise pessoal do analista, e isso não tem data de começo e fim, e não tem fórmula. E é por isso que existem tantos falsos psicanalistas, porque uma área tão subjetiva dá margem a bagunça, e esse talvez seja nosso calcanhar de Aquiles. É verdade, e admito isto aqui. Mas a formação do psicanalista não é oba-oba, e cada psicanalista não faz o que quer no seu consultório, isso já é bagunça. A formação, que inclui a analise pessoal, supervisão dos casos e grupos de estudo é exatamente desta forma para ser o mais completa possível. A análise pessoal nos permite estar aptos a cuidar dos outros, porque primeiro já cuidamos de nós mesmos. Como cuidar da especificidade do outro, como dar conta das questões do outro, quando não cuidamos nem das nossas?

 

Os estudos e a supervisão tentam dar conta e embasar o que é a psicanálise, o que ela se propõe, como ela tenta trabalhar, como as estruturas clínicas existem e operam, e como tudo isso pode acontecer na singularidade de cada caso. Como lidar com tudo isso na prática, como estar sempre preparado para o diferente, enfim, tudo isso é levado em conta na formação. É importante poder estudar casos já atendidos, que servem de exemplo do que pode acontecer na clínica. Esses exemplos servem de base para reformular teorias, ou reafirmá-las, enfim, vai se construindo ao longo da formação uma base pessoal de como estar preparado para receber pacientes.

 

Esse é um assunto muito discutido, daria pra desenvolver muitos tópicos e subtópicos. A questão central deste post, é que não existe manual de instruções para ser psicanalista, não existe um modo de fazer. [Talvez exista um manual do que não fazer (hahaha)!] Mas isso não significa que é bagunça, que é farra, e que se faz qualquer coisa no consultório, pelo contrário, significa que temos que estudar muito pra dar conta dessa enorme subjetividade que nos prestamos a dar conta quando escolhemos a psicanálise por profissão.

 

Por isso, se você se interessa pela psicanálise, o ideal é procurar um local especializado ou grupos de estudos sobre o assunto. Em São Paulo temos escolas ligadas a várias linhas e abordagens, que fazem especializações, ou mesmo grupos de estudos e cartéis. Para quem é iniciante, conhece pouco de psicanálise e quer conhecer mais, tem o CEP – Centro de Estudos Psicanalíticos, que têm vários mini-cursos, palestras, e até mesmo a especialização em psicanálise. O Clin-a também tem um curso de formação em psicanálise, para quem está começando a ler Freud. Já o Fórum do Campo Lacaniano também tem formação, cartéis, cursos e palestras, mas para quem já tem um conhecimento um pouco mais avançado de Freud e Lacan. Joga no Google que você acha os sites!

 

Ah, e claro, antes de tudo, leiam Calligaris, Cartas a um jovem terapeuta, dá uma idéia boa pra quem está interessado e não sabe bem por onde começar, e também pra quem já começou e não sabe bem o que fazer.

Recomendo

Nunca tinha lido o blog do Tico Santa Cruz, do Detonautas. Mas hoje li um texto dele sobre a atual moda de mulheres-frutas (que eu também acho rídicula) e achei ótimo. Melhor ainda porque é escrita por um homem, já que nessas horas, uma mulher criticando uma onda supostamente sexual de outras mulheres é sempre vista como invejosa…  Eu (e muitas outras) não temos invejas dessas coisas, e nada melhor do que um texto vindo de um homem (cuja cabeça de cima obviamente funciona melhor do que a de baixo) para falar da mais nova onda do momento. Afinal, muitos homem também não desejam esse tipo de coisa (onde eles andam???)!

http://bloglog.globo.com/ticosantacruz/

Sexta 13

Gabriel chega para mim e diz: mãe, amanhã é sexta feira 13.

E eu: Pois é, dia dos mortos vivos.

Ele: Não é nada, é dia do azar. (Silêncio) E mesmo se fosse dia dos mortos vivos eu não ia ter medo, quem ia aparecer era só meu avô Byron.

 

(Meu avô Byron faleceu ano passado).

 

Morri de rir.

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